Esta é a frase chave do filme "a culpa é das estrelas". O filme conta a história de um casal jovem que uma vez diagnosticados com câncer, acabam se conhecendo e se apaixonando. Parece mais uma história advinda de sucessos literários internacionais e que acaba marcando uma geração.
O ponto central do filme não é a luta pela sobrevivência ou qualquer proposta de cura alternativa. O filme fala do quanto precisamos reconhecer nossos sofrimentos e lutar para que o tempo que temos de vida, seja intenso o suficiente, a ponto de nos tornarmos inesquecíveis.
Para marcar o lugar no mundo real é preciso sentir. Não importa que em alguns momentos este sentimento seja negativo ou doloroso. A construção de um cidadão humanizado, depende do quanto as dificuldades do dia a dia foram vividas e superadas.
As próprias construções intelectuais, dependem da vivência sentimental. A arte, a literatura, a música, etc. São na sua grande maioria, fruto de sentimentos reais e intensos. A tecnologia, acaba por nos distanciar de itens que aguçam a nossa criatividade. A solidão está sendo suplantada pelas mensagens incansáveis via Whatsapp, que nos dão a falsa impressão de amparo, que nos atrapalham de estarmos sós, ainda que por alguns momentos, sem que nenhum alerta sonoro ou tremor do aparelho gere o desconforto de nos lançarmos a um parecer virtualizado, muitas vezes num diálogo desprovido de profundidade. O silêncio, foi assassinado pela dependência dos fones de ouvidos. Uma oração cotidiana, concorre com uma vasta playlist.
É difícil, quase impossível, sentir as dores existenciais de maneira plena nos dias atuais. Quando alguém discorda de nossas opiniões nas redes sociais; bloqueamos ou excluímos imediatamente, alguém que pode ter cometido o "grande erro" de dizer a verdade ou no mínimo, de ter sido sincero. Cada vez menos pessoas normais se lançam a novas experiências intelectuais, por estarem comprometidas com seus gostos exclusivos e personalizados
O que mais me preocupa como pai e educador, é a pobreza intelectual e cultural, efeitos colaterais de uma inclusão digital dramática, que forma novos consumidores e pouquíssimos protagonistas. As histórias que meus netos lerão, dependem da dor que o futuro escritor, não sentiu hoje. As músicas que embalarão minha velhice, podem ser tão ofensivas, que me deixarão em casa conversando com minha esposa e amigos, sobre os tempos e os bailes de outrora.
A dor precisa ser sentida, mas também precisa ser superada. Desta forma um ser humano é construído. Existir é sentir. É preciso chorar, para sorrir com mais entusiasmo; é preciso experimentar a solidão, para valorizar e aderir a cultura do encontro; é preciso calar, para aprender a falar na hora certa. É preciso viver no mundo real; para que a história da humanidade, seja contada ou reproduzida, como uma verdadeira herança para as próximas gerações. Espero que os erros e acertos de hoje, sejam um legado positivo para os futuros habitantes da terra.

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