A internet e suas respectivas práticas virtuais, deram uma abrangência realmente relevante a palavra desculpa. Defendo que o meio virtual, apenas deu notoriedade à práticas sociais subdesenvolvidas. A falta de educação, tão comum ao cotidiano brasileiro, ganhou ressonância e multiplicadores, nas diversas plataformas virtualizadas.
Pedir desculpas ou justificar algo através de desculpas, são atitudes cada vez mais banalizadas na internet. Quando alguém faz uma piada ou um comentário maldoso, a sentença apresentada, é imediatamente seguida de um pedido descompromissado de: “desculpa é brincadeirinha”. Quando alguém não entra em contato na hora ou local combinado; quando não retorna um email; quando sai de uma conversa repentinamente; imediatamente, um turbilhão de “desculpas engarrafadas” entram em ação e são postadas via ctrl C + ctrl V.
Se já não fosse o bastante banalizar o termo “desculpas”, ainda existem inúmeras inversões de sua usabilidade. Atualmente, quem vai bem na escola ou no trabalho; quem é bonito ou comunicativo, quem assiste bons filmes, quem ouve boas músicas, quem respeita as diferenças de gênero, classe social, cultura ou religiosa; a todo o momento tem que se esconder ou pedir desculpas, por ser realmente “diferente” e incomodar grupos de pessoas cada vez mais homogêneo e ditatorial.
Em nosso país, confundimos termos e expressões de maneira corriqueira. Colocamos democracia e baderna no mesmo “balaio”. Limite e repressão, são termos que caminham cada vez mais juntos, ainda que etimologicamente tenham significados antagônicos. A criminalidade e o entretenimento de massa, ainda que incompatíveis, são partes integrantes do cotidiano de muitos jovens e até mesmo de crianças, de maneira comum e no mínimo negligente.
Enquanto não chegamos a um consenso, eu gostaria de pedir DESCULPAS, a todas as mães e educadoras, por ainda não ter feito o suficiente para sensibilizar a sociedade de maneira mais eficaz. Quero pedir desculpas aos amantes da língua portuguesa, por ter permitido que a mesma, seja “pisoteada” por modismos disseminados velozmente pela internet.
Isso mesmo, assumo a minha parcela de responsabilidade, para com a massificação da bestialidade. Ainda que diariamente eu lute para que crianças, jovens e adultos, tenham um senso crítico cada vez mais apurado, reconheço que as ferramentas que utilizo, nem sempre são as mais adequadas. Desta forma, reitero a importância da “educação pelo cotidiano”, pelo menos dentro de casa.
Ainda que eu tenha que ensinar para os meus filhos, que apesar de tomarem atitudes positivas, os mesmos terão que pedir desculpas a todo o momento, por serem diferentes. Aproveito para mandar uma mensagem a todos os valentões, difamadores, crackers e companhia ilimitada, “DESCULPAS INFINITAS, SIGAM SEUS CAMINHOS E NOS DEIXEM EM PAZ”. E se isso não for suficiente, a lei e a justiça, terão a incumbência de responsabilizar e penalizar tais agressores. Ai, não tem “desculpas” e sim, cumprimento de pena.

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar