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Viral

O termo “viral”, advindo do internetês, traduz uma postagem ou conteúdo curtido e compartilhado na grande rede, que tenha atingido um número elevado de indivíduos conectados ou não. Isso mesmo, o conteúdo viral, ultrapassa a barreira da conectividade, ent

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O termo “viral”, advindo do internetês, traduz uma postagem ou conteúdo curtido e compartilhado na grande rede, que tenha atingido um número elevado de indivíduos conectados ou não. Isso mesmo, o conteúdo viral, ultrapassa a barreira da conectividade, entrando no cotidiano de muitas pessoas que pautam suas conversas a partir de informações massificadas, sem nenhum tipo de checagem da veracidade dos fatos apresentados, com uma agilidade nunca antes experimentada pela humanidade.

Não é por acaso que a expressão viral tenha relação direta com termos médicos como: infecção, contágio, vírus, epidemia. Um conteúdo viral, é o efeito colateral da dependência tecnológica, intensificado pela inclusão digital irregular e meramente cosmética. O grande problema da disseminação informativa, através de plataformas ricas em tecnologia, mas comandadas por uma geração de analfabetos tecnológicos funcionais; está no caos instaurado de maneira criminosa, que mais atrapalha o processo de busca pela verdade, do que instrui e esclarece o cidadão comum.

Infelizmente, na busca incessante por resultados econômicos, empresas de marketing se apoderam de modinhas virais e transformam ícones da banalidade em personagens protagonistas em campanhas milionárias. A falta de educação, aliada ao excesso do uso de modismos, gera um público de consumidores e não de usuários conscientes. Ao invés de denunciar um fato, milhares de pessoas conectadas, acabam distorcendo a realidade e depreciando personalidades, acusando ou sentenciando indivíduos, sem o devido envolvimento com a veracidade dos fatos. É como se brincássemos de “telefone sem fio”. De maneira criminosa e não lúdica, milhares de boatos viralizam pela internet e espalham incertezas como verdades absolutas, desinformando e ancorando esta geração na periferia informativa nacional.

Estamos nos especializando em perder oportunidades e o pior, transformar oportunidades em tragédias. Seja em competições esportivas, em relações políticas, eventos religiosos, etc. Nunca geramos um legado positivo, apenas disseminados conteúdos virais, que na maioria das vezes são depreciativos. Parece relevante rir da própria desgraça. Devemos aprender que a sabedoria é uma dádiva e não uma maldição, mas a observância do erro alheio, faz parte da consciência de quem quer ser diferenciado. Enquanto que a repetição do erro alheio, gera uma homogeneidade de atitudes no mínimo equivocadas.

Vivemos num tempo de mudanças a jato. A alternância entre sucesso e ostracismo, são marcas desta geração ágil e conectada. Por isso, precisamos educar nossos filhos e alunos, que insistem em imitar danças estranhas ou competições violentas, que os programas e personagens virtuais passam, mas a imagem de quem protagoniza este verdadeiro show de horrores, fica registrada para toda a eternidade na internet legal ou ilegal, online ou off-line.

A dica vai para as instituições cuidadoras de crianças, adolescentes e jovens. Gastem mais tempo com a formação para uma verdadeira cidadania virtual. Nosso calcanhar de Aquiles, está na inépcia desta geração de viver num mundo alternativo sem ferramentas condizentes com os desafios propostos pela vida essencialmente conectada. Me lembro da minha saudosa avó falando sobre minha lição escolar de inglês, ela dizia, “devias aprender primeiro o português”. Ouço a voz dela ressoando pelas “redes virtuais”, dizendo, “deviam aprender primeiro a viver no mundo real”. Façamos dos conselhos dos antigos, sempre úteis, um verdadeiro evento viral e vamos contaminar o mundo com uma nova postura, conectados a nossos valores humanos e legais.

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