Durante nove meses a gestante passará por um percurso rumo ao direito de vivenciar uma experiência única: o nascimento do próprio filho, e entre tantas providências, a vida segue seu curso até a hora em que saberá se o corpo e a mente permitirão a opção pelo parto normal, ou se uma cesariana será o mais indicado.
A grande maioria dos médicos concorda ao afirmar que o melhor parto é aquele em que a mãe e o bebê se saem bem, e o indicado pela Organização Mundial da Saúde - OMS, é que até 15% dos partos seja cesariana, e os índices no Brasil são bem mais altos do que isso. O risco de morte materna associada à cesariana, por exemplo, é 3,5 vezes maior que o método natural. Conheça os principais benefícios desse tipo de parto e saiba como ele é realizado.
PARTO NORMAL
A maioria das mulheres tem as condições físicas necessárias para ter um parto normal, inclusive as cardíacas, hipertensas ou diabéticas, desde que as doenças estejam sob controle. Neste tipo de parto, as contrações são sentidas na hora certa. A partir disso, o médico avalia a dilatação do colo do útero, que deve chegar a 10 cm.
Se o espaço for insuficiente para o bebê passar, é feito um corte cirúrgico na região perineal - região do períneo (área muscular entre a vagina e o ânus), para ampliar o canal de parto. Muitas mulheres não precisam desse corte - só na hora do parto que é possível definir se ele será realmente necessário.
Quando o colo estiver completamente dilatado e as contrações estiverem fortes, as paredes do útero farão uma pressão e, com a ajuda da mãe, impulsionarão a criança para fora. O processo tende a variar e pode durar até 15 horas quando feito pela primeira vez, pois como é um organismo que nunca dilatou, o processo costuma ser mais lento. Normalmente, as mães de primeira viagem dilatam um centímetro por hora.
Para evitar dores, o parto normal pode ser feito com anestesia e algumas mulheres fogem desse processo por medo da dor, mas é possível dar uma anestesia e fazer com que ela continue participando do trabalho de parto”. Se a mãe estiver sentindodores, o médico pode aplicar a anestesia combinada, que mistura raquiana e peridural em dosagem menor, aliviando o desconforto.
A perda de sangue é menor que no parto cesárea, já que não é preciso realizar cortes grandes e profundos. Para ter uma ideia: a cirurgia abdominal da cesariana provoca uma perda em torno de 1,5 litros de sangue, enquanto que o parto normal costuma provocar perda de até meio litro.
A maior mobilidade no pós-parto normal facilita e muito, os cuidados com o bebê, porém a mãe poderá sofrer algum incômodo com o corte de alívio (episitomia) feito na região perineal para auxiliar a saída do bebê. Após 15 dias, a mulher tem vida normal. Eventual flacidez nas paredes vaginais pode ser resolvida com exercícios próprios e fisioterapia. A cada parto normal, o procedimento é mais fácil do que os anteriores. Há possibilidade de incontinência fecal ou urinária.
O parto via vaginal traz melhor recuperação da mulher, além de menos riscos de infecções, hemorragias e lesões de órgãos como bexiga, uretra, artérias e intestinos. São necessários menos medicamentos e o risco de trombose (entupimento das veias) também é menor, já que a paciente pode se movimentar durante todo o trabalho de parto e volta a caminhar mais rápido do que depois de uma cesárea. Se o bebê nascer por parto normal, a mãe pode levantar em seguida, não há dores durante a recuperação e os pontos serão expelidos naturalmente.
VANTAGENS AO BEBÊ
O vínculo entre a mãe e o filho também tem mais chances de ser mais intenso em um parto normal. Sempre que possível, o bebê logo é entregue à mãe, que seja acolhido, abraçado e amamentado. É um momento em que a relação maternal é importantíssima.
É verdade também que o bebê passa estresse durante o trabalho de parto normal. Mas as mudanças que acontecem durante esse momento desencadeiam a produção de substâncias - como os corticoides - que ajudam a preparar o organismo do bebê para o ambiente externo ao útero. Além do que, a saída pelo canal vaginal - e não pela barriga, como na cesariana - provoca uma compressão do tórax do bebê. Isso o ajuda a eliminar todo o líquido amniótico das vias respiratórias, aliviando desconfortos respiratórios.
CESÁRIA
A cesariana é um procedimento cirúrgico em que é preciso fazer uma anestesia, que pode ser a raquiana ou peridural. As duas são aplicadas nas vértebras das costas, e como a peridural demora um pouco mais para fazer efeito e as mulheres sentem a movimentação durante a cirurgia, é mais comum o uso da raquiana. Depois disso, é feita uma sondagem, antissepsia (limpeza especial) e uma incisão por sete camadas até chegar ao bebê.
Em alguns casos é a melhor opção para o nascimento: quando o bebê está sentado ou é muito grande (peso acima de 4,5 kg), a dilatação não evolui e a bacia da mulher é muito estreita. Em casos de desproporção céfalo-pélvica (quando a cabeça do bebê é maior do que a passagem da mãe), hemorragias no final da gestação, sofrimento fetal, diabetes gestacional, pressão alta e trabalho de parto prolongado. Em casos de cardiopatias, gêmeos mal posicionados, deslocamento prematuro da placenta ou placenta prévia, a cesárea também é indicada.
Há maior sangramento no pós-parto e a mobilidade é limitada por causa da dor abdominal decorrente do corte. Após 30 dias a mulher está liberada para dirigir, carregar peso e trabalhar.
Existe a possibilidade de que a mulher adquira fístulas (feridas) entre a bexiga e o útero, porém, ao contrário do parto normal, os riscos de danos nos músculos pélvicos e esfíncteres são menores, o que diminui as chances de surgimento de incontinência fecal ou urinária.
Apesar de ser uma intervenção cirúrgica, o parto cesáreo pode ser uma opção quando a gestante manifesta receio sobre o tiponormal e os cuidados com o bebê. Isso diminui a tensão gerada por todo o processo. Nesse caso, a gravidez não ultrapassa o tempo estimado, o que evita riscos para o recém-nascido. A cesariana, no entanto, é um procedimento cirúrgico. Com isso a mulher levanta entre 6 e 12 horas depois, os pontos devem ser retirados entre 10 e 15 dias após o parto e há dores e distensão abdominal no pós-operatório.
(com informações do portal Terra e site Minha Vida)
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