Elogios e demonstrações de amor e de afeto devem se feitas de maneira cautelosa, principalmente quando feitas dos pais para os filhos. Pelo menos é o que apontou um estudo da revista científica Proceedings of the National Academy of Science. Nela, os pais são alertados para que não estejam criando futuros narcisistas, ao afirmarem aos filhos o quanto eles são especiais.
A pesquisa, publicada na Proceedings of the National Academy of Sciences, busca analisar a origem do egoísmo extremo e analisou 565 crianças holandesas, e seus pais, durante um ano e meio.
O estudo revelou que os pais que descreveram seus filhos como sendo "mais especiais do que as outras crianças" ou que "merecem algo extraordinário na vida" tinham mais possibilidades de registrar altas pontuações nos exames de narcisismo que os pequenos que não recebiam este tipo de elogio.
A forma como os pais valorizavam seus filhos ao perguntarem se faziam declarações como: "Meu filho é um grande exemplo a ser seguido pelas outras crianças".
Brad Bushman, co-autor do estudo e professor de comunicação e psicologia da Universidade Estadual de Ohio afirmou que as crianças acreditam nos pais quando eles lhes dizem que são mais especiais que os outros. Ele acrescentou que isso talvez não seja positivo nem para eles nem para a sociedade. Além disso, o estudo apontou que o apoio e o carinho dos pais poderia ser uma estratégia melhor que a de inflar o ego das crianças.
As crianças com auto-estima elevada não viam a si mesmas como mais especias que as demais, mas se diziam felizes consigo mesmas e contentes com sua própria maneira de ser: "As pessoas com boa auto-estima não acreditam ser melhores que as demais, enquanto os narcisistas pensam que são", afirmou Bushman.
Os pais provavelmente têm boas intenções quando dizem aos filhos que são especiais. Os resultados da investigação mostram, contudo, que o resultado é o fomento do narcisismo, não da auto-estima: "Em vez de elevar a auto-estima, as práticas de supervalorização inadvertidamente aumentam os níveis de narcisismo", acrescentou o pesquisador.
Ele destacou ainda que os pais não são os únicos culpados. Como outros traços da personalidade, a genética e o temperamento próprio da criança também contribuem para este fator.
(com informações do portal Terra)
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