Além de saborosa e nutritiva, a castanha do Pará auxilia na redução dos níveis séricos de colesterol, combate os radicais livres e é fonte de cálcio e magnésio. E mais: recente estudo sobre a iguaria aponta que, se consumida diariamente, ela tem o poder de recuperar a deficiência de selênio e ainda teve efeitos positivos sobre as funções cognitivas de idosos com comprometimento cognitivo leve (CCL), considerado um estágio intermediário entre o envelhecimento normal e demências, como o Alzheimer.
O CCL é a perda do processo que envolve atenção, percepção, memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento, linguagem - chamada de funções cognitivas, que surgem com o avançar da idade. Ele pode levar ao Alzheimer, que, conforme a Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), afeta cerca de 1,2 milhão de pessoas com mais de 60 anos no Brasil.
Estudo
A pesquisa do constante consumo de castanha do Pará foi realizada pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Universidade de São Paulo (USP), através de uma tese de doutorado da nutricionista Bárbara Cardoso. Entre as análises da pesquisadora, está a associação entre os níveis de selênio e o estresse oxidativo - excesso de radicais livres em comparação com o sistema protetor de cada célula - em pessoas com CCL.
Para a análise, foram selecionados 20 idosos de ambos os sexos, sendo que 95% deles apresentavam deficiência em selênio. Durante seis meses, a nutricionista acompanhou dois grupos. O primeiro ingeriu uma castanha do Pará por dia e o outro não. Após o período estipulado, quem consumiu a iguaria corriqueiramente deixou de apresentar deficiência de selênio.
Para reafirmar a tese, os idosos passaram por avaliação neuropsicológica antes e depois da intervenção com a castanha. O grupo que ingeriu, apresentou melhora nos aspectos de fluência verbal. De acordo com a doutora, apenas uma unidade de castanha do Pará trouxe 288,75 microgramas de selênio ao dia, aumentando o consumo de selênio para além da recomendação diária (55 microgramas/dia), mas sem ultrapassar o limite tolerável de 400 microgramas.
ESTRESSE
Conforme a nutricionista, o estresse oxidativo está envolvido no declínio cognitivo. Ou seja, pacientes com comprometimento cognitivo leve ou Alzheimer apresentam maiores níveis de estresse oxidativo.
Com o avançar da idade, os neurônios passam a ter menor eficiência na produção de energia, com o aumento da geração de radicais livres. Por outro lado, a capacidade do sistema antioxidante, que combate esses radicais, tende a reduzir. E os resultados da pesquisa indicam que o consumo da castanha melhora a resposta antioxidante e reduz o declínio cognitivo.
(Diário do Pará)
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