O excesso de peso é um problema que afeta um em cada dois adultos e uma em cada três crianças brasileiras. Além disso, o aumento expressivo do sobrepeso e da obesidade em todas as faixas e as doenças crônicas, como o câncer, são as principais causas de morte entre adultos.
Segundo estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o Brasil teve 12.870 casos de câncer de estômago em homens e 7.520 em mulheres em 2014. É o segundo tipo mais frequente em homens na região Norte. Para as mulheres, é o terceiro mais comum. O Pará registrou 690 casos de câncer de estomago, sendo 240 só em Belém.
A nutricionista do Centro de Tratamento Oncológico, Betina Nimhauser, destaca que a base da alimentação deve ser feita com alimentos frescos. Ela recomenda que sejam evitados os produtos processados, que estão ligados ao câncer de estômago. Esse é um dos tipos considerados evitáveis, já que está diretamente relacionado aos maus hábitos alimentares. “Para prevenir doenças como o câncer, o ideal é não consumir alimentos industrializados. Ou consumir o mínimo possível, pelo menos. Outro hábito ruim dos paraenses é consumir muita carne vermelha, que não é bem absorvida pelo organismo”, orienta a nutricionista.
No caso de quem já convive com a doença, uma alimentação bem equilibrada ajuda muito no tratamento. “Câncer é uma doença que afeta as células, o paciente é submetido a tratamentos agressivos, por isso a alimentação é fundamental para fortalecer a imunidade”, esclarece Betina.
Maus hábitos - A Organização Mundial da Saúde (OMS) não cansa de alertar: o sedentarismo, a obesidade e os hábitos alimentares inadequados podem aumentar o risco de ter câncer. Segundo a OMS, pelo menos 33% dos cânceres mais comuns podem ser evitados diminuindo-se o consumo de álcool e adotando dietas mais saudáveis, com exposição moderada ao sol e a prática de atividade física regular.
Dados da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2014) mostram que apenas um quarto da população brasileira (24,1%) consome a quantidade de frutas e hortaliças recomendada pela Organização Mundial da Saúde em cinco ou mais dias da semana. Segundo a OMS, a ingestão necessária é de pelo menos 400 gramas desses alimentos diariamente. Esse consumo é ainda menor entre os homens, com um índice de 19,3%. 28,2% das mulheres brasileiras consomem frutas e hortaliças.
Além do consumo recomendado de frutas e hortaliças, a Vigitel traz ainda outros dados importantes sobre a alimentação dos brasileiros. O estudo mostra que 29,4% da população ainda consome carne com excesso de gordura. Os homens consomem duas vezes mais, com 38,4%, enquanto entre as mulheres o índice cai para 21,7%.
Dieta regional - O Ministério da Saúde lançou em abril o livro “Alimentos Regionais Brasileiros”, com comidas típicas de cada região e dicas de como cozinhar com mais saúde. A aposta é na diversidade culinária e variedade de frutas e hortaliças do Brasil, para possibilitar à população manter uma alimentação saudável.
Na lista de alimentos indicados por região, são citados 47 produtos do Norte, entre frutas, hortaliças, legumes, temperos e preparações. Açaí, castanha do Pará, pupunha, jambu e chicória são alguns dos mais conhecidos. Mas a lista também traz surpresas, como o tucupi e a maniçoba. “O açaí possui antioxidantes que combatem os radicais livres, o jambu é uma verdura rica em ferro, por isso fazem bem”, explica a nutricionista do Centro de Tratamento Oncológico, Betina Nimhauser. “Já o tucupi, pode ser usado como condimento, e a maniçoba pode ser considerada saudável, desde que o preparo evite excesso de sal e de gordura”, finaliza a nutricionista.
(com informações da assessoria do CTO)
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