Caracterizada por um estado emocional em desequilíbrio, a depressão pode ser dividida, basicamente, em dois tipos: em exógena e endógena, segundo classificação feita pelo psicólogo clínico Lauro Haber, que atua há aproximadamente 20 anos com terapia comportamental cognitiva na cidade Belém. A primeira refere-se a um estado depressivo, no qual, fatores externos contribuem para esse quadro, como desemprego, a perda de um ente querido ou o fim de um relacionamento.
A depressão do tipo endógena está relacionada a aspectos internos, a mudanças bioquímicas que ocorrem nos neurotransmissores dos indivíduos, responsáveis pela liberação de emoção. Geralmente, sem motivos aparentes, apesar de ter bens materiais ou uma família unida a pessoa pode apresentar depressão. Segundo Haber, a depressão pode ser uma doença, se for depressão endógena, por alteração bioquímica. Então, precisará ser tratada com medicamentos que, no Brasil, deverão ser prescritos apenas pelo psiquiatra, profissional habilitado para o tratamento farmacológico. Por outro lado, diz a especialista, a depressão também pode ser um comportamento. “É natural para o ser humano, reagir de forma até de negação diante da perda de entes queridos. Este comportamento é benéfico, porque o indivíduo faz uma introspecção e deverá elaborar essa perda. Não é natural, no entanto, que ele alimente esse sentimento. Do contrário deve aprender a ressignificar o acontecimento de sua vida”, descreveu Haber.
Mas de acordo com a psicóloga organizacional Aline Barros, o depressivo não tem energia para agir dessa maneira, porque ele está envolto em um pessimismo e de um sentimento de culpa, que só o profissional de saúde, após a identificação da depressão poderá, através de técnicas, elaborar um projeto de vida junto ao depressivo e mudar a realidade dele. O entendimento de Aline Barros é que a depressão é uma doença de aspecto mental, que reflete em seu aspecto físico e social. “A família do depressivo deve ter um papel fundamental para perceber atitudes de isolamento que antes não existia. Depressão pode acometer qualquer pessoa e não é coisa de preguiçoso ou irresponsável. O depressivo não é agressivo e precisa ser ouvido”.
(Diário do Pará)
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