Segundo estimativa do Ministério da Saúde, 12 milhões de pessoas têm diabetes em todo Brasil, e estima-se que 7% da população mundial são afetados pela doença, caracterizada pela deficiência na produção ou ação da insulina, o que provoca o aumento do nível de açúcar no sangue. Por isso foi criado o Dia Nacional do Diabetes, comemorado em 26 de junho, para alertar a população sobre a doença e suas consequências.
Boa parte dos portadores não sabem que tem a doença, que é considerada uma doença silenciosa, porém, os problemas que ela acarreta são graves. O diabetes afeta e pode causar a perda da visão, prejudica o funcionamento dos rins e circulação do sangue. É uma das principais causas de derrame cerebral, ataque cardíaco, insuficiência renal e amputação de membros. Além de todos esses problemas graves, que já são bem conhecidos, aumenta a probabilidade de o paciente ter câncer.
Esta é a conclusão de um estudo chinês, divulgado em setembro de 2014, no Diabetologia, periódico da Associação Européia para o Estudo do Diabetes, que tem o apoio de diversas instituições internacionais de pesquisa sobre a doença. Os pesquisadores analisaram e compararam 16 pesquisas sobre diabetes (quatro da Ásia, 11 dos Estados Unidos e da Europa e uma da África), que envolveram a participação de quase 900 mil pessoas. A partir delas, pesquisadores da Sun Yat-sen University Cancer Center, em Guangzhou, relacionaram o risco da glicemia alta a vários tipos de câncer.
Segundo o estudo, o risco de desenvolver câncer mostrou-se 15% maior entre pré-diabéticos. Entre as pessoas pré-diabéticas com sobrepeso ou obesidade, o risco saltou para 22%. O tipo de câncer que tem o maior aumento no risco é o de fígado. Segundo o estudo, os pré-diabéticos ou diabéticos mostraram-se duas vezes mais propensos a desenvolver câncer de fígado.
Câncer de Fígado- Com mais de 600.000 novos casos diagnosticados anualmente em todo o mundo, o câncer hepático é o sexto tipo de câncer mais frequente. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), no Brasil esse câncer não entra na lista dos dez mais frequentes; sua taxa pode variar entre 1 a quase 10 casos em 100 mil habitantes.
Nos locais de baixa incidência, essa doença aparece por volta dos 60-70 anos. Nos locais de maior incidência, o tumor acomete pacientes mais jovens, entre os 30-50 anos: "O câncer de fígado é preocupante não pela grande incidência, mas porque se trata de uma doença com uma taxa de mortalidade crescente. Além disso, requer uma alta complexidade no seu diagnóstico e proficiência no tratamento”, avalia a oncologista clínica Paula Sampaio, do Centro de Tratamento Oncológico.
O câncer de fígado pode ser de dois tipos: o colangiocarcinoma , que é o tumor originado no próprio órgão e que tem uma incidência menor, correspondendo a cerca de 5% dos casos de câncer de fígado. O outro tipo corresponde aos tumores resultantes de metástases hepáticas, que chegam a 35% dos casos: "O câncer se origina em outra parte do organismo e migra para o fígado. Os tipos que mais dão metástase para o fígado são o câncer de pâncreas, carcinoma colorretal, câncer de estômago, mama, esôfago, pulmão e tumor carcinoide”, enumera Paula Sampaio.
A especialista ainda alerta para os fatores de risco: "Por isso, adultos acima do peso e que tenham um ou mais fatores de risco para diabetes devem realizar o exame para detectar a doença. Aqueles que não apresentam fatores de risco devem começar a fazer os exames aos 45 anos. Se os resultados dos exames forem normais, eles devem ser repetidos a cada 3 anos. Dependendo dos resultados iniciais e dos riscos, o ideal é que diabéticos façam exames preventivos para câncer a cada seis meses”, aconselha.

(com informações do CTO)
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