Os cálculos biliares, a doença metabólica popularmente conhecida como pedra na vesícula, merecem grande atenção. Além do risco de serem confundidos com um quadro de gastrite - pelas fortes dores no lado direito superior do abdômen, além de empachamento e má digestão -, os sintomas dessa enfermidade podem passar despercebidos em pacientes assintomáticos, o que aumenta seus perigos.
Tudo isso porque quadros assintomáticos não significam que o paciente nunca terá uma crise. Inclusive, pessoas sem sintomas correm um risco maior de ter complicações graves, alerta o médico Acácio Centeno, doutor em medicina, mestre em Gastroenterologia Cirúrgica pela Escola Paulista de Medicina e diretor clínico da Clínica Procto Gastro – especializada em cirurgia, gastroenterologia, proctologia, obesidade e diabetes.
O risco acontece quando uma pedra pequena “escapa” da vesícula e obstrui o canal da bile, bloqueando o fluxo do líquido para o intestino. Essa obstrução pode causar a icterícia – o amarelamento dos olhos – e se a pedra bloquear também o canal do pâncreas, o paciente corre o risco de ter uma crise de pancreatite.
A BILE COMO VILÃ
A bile é um suco digestivo produzido pelo fígado. Com a função de digerir a gordura dos alimentos, ela fica armazenada na vesícula, um dos órgãos de nosso o aparelho digestivo.
Quando a gordura de um alimento chega ao intestino, um hormônio intestinal estimula a contração da vesícula para expulsar a bile.
A mistura de várias substâncias formam a bile. Uma delas é o colesterol, responsável por 75% dos casos de pedras na vesícula.
Outra causa de formação dos cálculos biliares é o mal funcionamento da vesícula na hora de expulsar a bile. Existe ainda o cálculo de pigmento biliar, problema que acomete pessoas que têm alguma doença hemolítica.
A destruição de hemácias gera pigmentos biliares e a quantidade exagerada de pigmento na bile forma as pedra, geralmente escuras.
Há riscos para pacientes obesos que sofrem com o efeito “sanfona”. Eles podem apresentar desequilíbrios na composição da bile que favorecem a formação de cálculos. Já os diabéticos que têm pedra na vesícula correm riscos de infecção com pus.
A cirurgia para a retirada da vesícula doente é a única maneira de solucionar o problema. “Cerca de 20% dos pacientes que foram operados após 60 anos já têm pedra no canal da bile. Então, se você tem pedra, deve ser operado logo”, alerta Centeno.
(Priscila Soares/Diário do Pará)
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