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Mulheres dão toque feminino à ciência

Ana, Edithe e Ima. Desde muito cedo, as três meninas que brilhariam nas ciências na Amazônia já demonstravam interesse pouco comum para crianças tão pequenas. No Marajó, onde visitava a família da mãe, Ima adorava brincar com a terra e com as plantas. Já

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Ana, Edithe e Ima. Desde muito cedo, as três meninas que brilhariam nas ciências na Amazônia já demonstravam interesse pouco comum para crianças tão pequenas. No Marajó, onde visitava a família da mãe, Ima adorava brincar com a terra e com as plantas. Já Edithe se divertia cavando buracos em tudo quanto era canto. Apaixonada por História, fingia ser uma arqueóloga em busca de cidades perdidas. E Ana, quinta filha de uma família de 7, cumpria uma rotina puxada de estudos imposta pelos pais, que não conseguiram chegar à universidade, mas incentivaram os filhos a fazer um curso superior. A aula predileta da menina era a de Ciências.

Hoje, Ima Vieira, Edithe Pereira e Ana Yecê formam um trio de pesquisadoras que se destacam em áreas diversas, mas igualmente importantes para a Amazônia: ecologia, arqueologia e medicina tropical, respectivamente. Para celebrar o Dia Internacional da Mulher - comemorado na próxima terça-feira (8) -, o DIÁRIO mostra o exemplo e a vitória de personagens tão distintas e que servem de inspiração para milhões de brasileiras que enfrentam as agruras de um mercado de trabalho que ainda paga um terço a mais para os homens, segundo estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

A belenense Edithe Pereira se graduou em História na expectativa de realizar o sonho de infância: ser arqueóloga. O fascínio começou pela mitologia do Egito e pelos maias. Não imaginava que encontraria, na Amazônia, as peças do quebra-cabeças sobre o qual se debruçaria por mais de 20 anos. O trabalho dela começou como estagiária no Museu Goeldi, um dos centros de pesquisa mais importantes do País. Hoje, é pesquisadora titular da instituição. Confira, a seguir, essa e outras histórias de mulheres cientistas.

COMPARTILHAR A HISTÓRIA PARA NÃO ESQUECÊ-LA

O trabalho dedicado a buscar as origens do homem na Amazônia levou Edithe a um mergulho no coração da região de maior biodiversidade do planeta. Conheceu lugares fascinantes, como as cachoeiras de Monte Alegre, a Serra das Andorinhas e sítios arqueológicos de Prainha.

Ana Yecê das Neves Pinto, de 49 anos: médica que trabalho contra a Doença de Chagas. Criou formas de atendimento que estão salvando vidas na Amazônia. (Foto: Marcelo Lelis/Diário do Pará)


Em 2012, ela começou uma nova etapa na carreira. Tornou-se militante da divulgação científica. “Se não repassarmos esse conhecimento, ele ficará enclausurado”. Desde 2012, coordena um projeto de difusão científica que pretende levar informações sobre a arte rupestre da Amazônia para crianças e jovens. O projeto prevê a elaboração de livros infantis e uma exposição permanente, em Belém.

A pesquisadora defende que os sítios arqueológicos sejam preparados para receber visitantes. O trabalho rendeu homenagens da Câmara dos Vereadores de Monte Alegre, um dos pontos centrais do trabalho. “Essas homenagens são, na verdade, um reconhecimento do trabalho e uma prova de que há interesse pela nossa História, nosso passado”.

A VIDA NA AMAZÔNIA DEPENDE DELAS

O gosto pela terra, plantas e animais levou a pesquisadora Ima Vieira, 55 anos, para os estudos de Agronomia. Da faculdade, o caminho natural foi a pesquisa que começou ainda na iniciação científica. Hoje, Ima ajuda jovens pesquisadores que desejam seguir seus passos. Orienta mestrandos e doutorandos e faz parte de um dos mais importantes projetos da área ambiental da região, o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Biodiversidade e Uso da Terra na Amazônia (INCT).

Ima Vieira, de 55 anos: ambientalista, luta pela preservação e uso sustentável da terra. Ex-diretora do Museu Goeldi, hoje faz parte de um projeto que quer entender e preservar a biodiversidade amazônica. (Foto: Tiago Araújo/Arquivo)

Já Ana Yecê das Neves Pinto escolheu estudar o ser humano. Quando precisou decidir que carreira seguir, ela não pensou duas vezes. Resolveu ser médica. No momento da residência, fez provas para Pediatria e Doenças Infectocontagiosas. O desejo de estudar problemas que atingem a população mais pobre da Amazônia falou mais alto. Após a residência no Hospital Barros Barreto, iniciou a carreira como pesquisadora do Instituto Evandro Chagas e faz parte da equipe que se destaca nos estudos da Doença de Chagas. “Na nossa região, a doença de chagas ainda representa um problema muito grave”, afirma.

A doença, que em outras áreas costuma ser crônica, na Amazônia costuma ter sintomas agudos e que, em 80% dos casos, podem ser sanados com medicamentos. “Ainda é um potencial baixo (de resolução). Poderíamos ter drogas mais eficientes”, diz. Cada uma em suas áreas, Ana, Edithe e Ima têm mostrado que, apesar dos desafios, ciência na Amazônia é coisa de mulher, sim senhor.

(Rita Soares/Diário do Pará)

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