Durante muitos séculos, o papel estipulado à mulher foi o de ser responsável pela saúde da família. Mas, atualmente, essa nobre missão deve ter como beneficiada também outra pessoa: a própria mulher. E elas ainda têm de enfrentar muitos tabus da nossa sociedade.
Principalmente, quando o assunto é a saúde sexual. Enquanto homens aprendem, desde cedo, sobre higiene pessoal e sexualidade, muitas mulheres, por outro lado, desconhecem como se cuidar e sentem vergonha em procurar ajuda. Algumas vão ao ginecologista apenas quando engravidam. Foi o caso da Isabella Cristina, 24 anos, vigilante, que engravidou aos 17 e somente depois disso começou a fazer acompanhamento ginecológico. “Eu tinha muita vergonha de falar do meu corpo quando era adolescente. Por isso, nunca tinha ido”, conta.
De acordo com o ginecologista e obstetra Jorge Vaz, professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), esse atraso prejudica o entendimento e o cuidado com o próprio corpo. “O aconselhado é que a garota faça sua primeira consulta assim que iniciar o ciclo menstrual”, explica. “A partir daí, é preciso fazer consultas de rotinas todos os anos”. Mas o cuidado não pode ser apenas feito no consultório médico. A mulher precisa procurar ter uma vida saudável desde a infância.

Isabella Cristina só procurou um ginecologista quando engravidou. (Foto: Janduari Simões/Diário do Pará)
EDUCAÇÃO
Foi exatamente o que aconteceu com a bióloga Gabriela Sampaio, 28 anos. Aos 13, ela teve sua primeira consulta com um ginecologista. Graças à educação que recebeu em casa. “Minha mãe sempre me informou muito, me deu livros e me mostrou documentários sobre saúde íntima”, conta Gabriela.
Nem sempre é assim. Denise Rodrigues, 36, trabalhadora de serviços gerais, cresceu numa comunidade ribeirinha e não teve acesso a informações básicas. “Ninguém me dizia que meu corpo ia mudar. Minha primeira menstruação veio de surpresa. Eu escondi isso por um bom tempo. Nem sabia o que era”, conta. Agora, madura, ela entende a importância da informação e da prevenção. “Eu me preocupo com essa situação. Vou ao ginecologista regularmente”. Já a atendente Jaqueline Rodrigues, 23, diz que o o problema é a falta de tempo para procurar ajuda médica. “A gente que trabalha fica com pouco tempo pra se cuidar. Mesmo assim, procuro ir ao médico duas vezes por ano”, declara Jaqueline.
PREVINA-SE
Exames e idades
Vacina do HPV:
a partir dos 09 anos, a criança deve tomar a vacina gratuita.
Papanicolau:
Exame preventivo que deve ser feito ao menos uma vez por ano , por mulheres com mais de 18 anos.
Autoexame de mama:
Deve ser feito rotineiramente após cada ciclo menstrual.
Mamografia:
Toda mulher deve fazer quando identificado algum caroço nos seios em seu autoexame. Já a partir dos 35, o exame deve ser anual, se já houver casos de câncer de mama na família.
(Alice Martins Morais)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar