O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), em pesquisa de 2011, mostrou que 28 milhões de brasileiros declararam ter alguma deficiência auditiva. Isso equivale a 14,8% da população nacional. Boa parte dos casos se dá pela perda auditiva induzida por ruídos em locais de trabalho. Um número cada vez maior de trabalhadores aumenta as estatísticas de deficiência auditiva. A Sociedade Brasileira de Otologia (SBO) aponta que cerca de 35% das perdas da audição no país são consequências de sons intensos presentes no ambiente onde as pessoas desempenham suas funções.

A otorrinolaringologista Érika Badarane explica que escutamos porque o som, ao penetrar pela orelha, provoca vibrações no tímpano, que são conduzidas para os ossículos (martelo, bigornas e estribo) e, daí, para a cóclea. “Quando escutamos ruídos ou barulhos muito altos e por tempo prolongado, podemos sofrer um dano definitivo e irreversível em algumas das células receptoras, que ficam dentro da cóclea”, diz Érika.

DECIBÉIS
Segundo a especialista, todos os trabalhadores expostos a níveis de pressão sonora iguais ou acima de 85 decibéis, por período superior a 8 horas diárias, estão vulneráveis a ter surdez. Os trabalhadores da construção civil, siderurgia, metalurgia, música, agentes de trânsito e motoristas de ônibus são os mais suscetíveis.
Por isso, é imprescindível que esses trabalhadores usem sempre equipamentos de proteção individual auditivo (EPI). “É preciso ainda exames periódicos da audição para um monitoramento auditivo. A melhor forma de prevenção é a informação”, diz a especialista, que também é médica do serviço de Otorrinolaringologia do Hospital Bettina Ferro de Souza.

Érika explica que os principais sintomas da perda auditiva são o zumbido, a dificuldade de compreensão de fala, a intolerância a sons intensos e dificuldade na localização da fonte sonora. “Outros sintomas não auditivos podem aparecer, como diminuição no rendimento, dor de cabeça, dificuldade de concentração, sintomas gástricos e irritabilidade”, afirma. Caso o trabalhador apresente estes sintomas, deve procurar atendimento especializado com urgência.
(Luiz Flávio/Diário do Pará)
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