Experimentos realizados com animais mostram que o consumo de uma dieta com baixo conteúdo de sal durante a gestação repercute nos descendentes na idade adulta, causando resistência à insulina no organismo. A conclusão é de pesquisa de doutorado realizada no Laboratório de Investigação Médica da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Por outro lado, testes feitos em estudo de mestrado mostram que a dieta com conteúdo elevado de sal na gestação está vinculada a alterações cardíacas na prole já no primeiro dia após o nascimento. As constatações dos trabalhos precisam ser confirmadas em seres humanos.
As pesquisas demonstraram que a prole de mães alimentadas com a dieta com alto conteúdo de sal (hipersódica) durante a gestação apresentou na idade adulta pressão mais alta e algumas alterações nas funções renais. Um novo experimento apontou que a dieta hipersódica na gestação causa alterações cardíacas um dia após o nascimento. Em outra pesquisa, verificou-se que a dieta com baixo conteúdo de sal (hipossódica) na gestação provoca nos descendentes resistência à insulina e aumento dos níveis de colesterol e triglicérides no sangue quando chega à idade adulta.
ALTERAÇÃO
A resistência acontece quando o funcionamento da insulina no organismo não é satisfatório. “A insulina leva a glicose, que circula na corrente sanguínea para o interior das células, onde é usada na produção de energia”, explica o professor Joel C. Heimann. “Quando ela não funciona, a glicose não é levada para as células em
quantidade suficiente.”
No caso da alimentação hipersódica, as mudanças aconteceram após três gerações. Não houve uma mudança no gene, mas uma alteração funcional. Heimann aponta que, durante os experimentos, verificou-se que as fêmeas dos animais testados eram mais protegidas contra determinadas alterações do que os machos. “Apenas os machos adultos desenvolveram resistência à insulina”, observa. “A primeira hipótese sobre essa diferença é que ela é de origem hormonal, causada pelo estrógeno, hormônio sexual mais comum no sexo feminino. No entanto, as alterações também foram verificadas no nascimento, quando não há uma grande diferença de hormônios sexuais, um aspecto que requer maiores estudos”, acrescenta Maria Angélica.
CONSUMO DO SAL
O professor lembra que as conclusões das pesquisas não podem ser estendidas aos seres humanos, o que requer estudos específicos, especialmente quanto aos efeitos na gestação. O sal é muito utilizado como conservante em alimentos industrializados, inclusive em doces, por isso seu consumo é elevado entre a população. Apesar da OMS estabelecer um limite de 5 gramas por dia para os adultos, a média de consumo no Brasil é de 12 gramas diárias.
(Agência USP)
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