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Comida vegana com sabor e sem trauma

Há sete anos, Frank Karata começou a realizar, na sala de casa, festas de hardcore e gastronomia vegana. O embrião do que viria ser a Veg Casa – Alimentos Veganos. Ao longo desse tempo, a turma que hoje compõe o empreendimento já vendeu comida na rua e t

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Há sete anos, Frank Karata começou a realizar, na sala de casa, festas de hardcore e gastronomia vegana. O embrião do que viria ser a Veg Casa – Alimentos Veganos.

Ao longo desse tempo, a turma que hoje compõe o empreendimento já vendeu comida na rua e também participou de grandes festivais e eventos.

Agora, a ideia é realizar periodicamente uma Feira Vegana, que já teve sua primeira edição durante o último domingo, no projeto Circular Cidade Velha-Campina.

A definição criada pela The Vegan Society, da Inglaterra, a mais antiga entidade vegana do mundo, é que o veganismo é uma forma de viver que busca excluir, “na medida do possível e do praticável”, todas as formas de exploração e de crueldade contra animais, seja para a alimentação, para o vestuário ou para qualquer outra finalidade.

“Deixamos de lado, por exemplo, cintos e sapatos de couro, ou qualquer produto feito por empresas que patrocinam eventos como os rodeios – considerados por nós algo extremamente violento para os animais”, explica Frank.

Dos veganos junk food aos veganos crudívoros – e todos mais entre eles –, há uma versão do veganismo para todos os gostos. O que todos têm em comum é uma dieta livre de todos os alimentos de origem animal, como carne, laticínios, ovos e mel. No entanto, diferente do que as pessoas costumam imaginar, existem centenas de alimentos naturalmente veganos, como arroz, feijão, legumes, hortaliças e castanhas, inclusive muitos pratos tradicionais que não têm nada de origem animal em suas receitas. Ou seja, eles comem muito bem.

Experimentar sem preconceito pode ser uma boa surpresa

O grande problema da apresentação da alimentação vegana e até mesmo a vegetariana é convencer as pessoas a experimentar, conta Frank. “Eu já vi situações das pessoas não experimentarem só pelo nome ‘comida vegana’. Eu até uso a tática em alguns eventos de dizer: ‘É de tomate seco com jambu’ ou ‘É de pasta de tucupi com jambu’. Aí a pessoa come, diz que é muito bom, pergunta onde é que eu trabalho e só então eu digo que sou da Veg Casa – Alimentos Veganos. Muita gente passou a ser vegano conhecendo dessa maneira”, garante.

Nas receitas, o chef busca então dar essas opções com ingredientes locais. “No mínimo, soa familiar e interessante”, diz ele. “Muitos veganos ficam enlouquecidos porque querem comer coxinha, por exemplo, e a gente há dois anos vem apresentando a coxinha de carne de caju, que é um sucesso. E o hambúrguer de pupunha, que a gente conseguiu lançar e hoje faz sucesso até em restaurante que não é vegano nem vegetariano”, cita Frank, como um bom caminho para quem quer começar a experimentar.

Há muitas opções na cozinha vegana tudo com alto valor nutricional e respeito aos animais. (Foto: Wagner Santana)

Uma questão de variedade

Dentro da alimentação vegana existe uma grande discussão sobre o consumo de carboidratos (pães, cereais, arroz, massas, etc.). Os vegetarianos são vistos como pessoas que consomem muito carboidrato, e carboidrato ruim. “A gente sabe que tem muita verdade nisso, mas também, que você pode se afastar disso consumindo mais frutas, por exemplo. A gente mora na Amazônia, tem uma diversidade imensa de alimentos vegetais, então você pode variar com frutas e ervas também”, diz Frank.

O caruru – não o prato feito à base de camarões e quiabo, mas a planta! – é um bom exemplo de alimento que dá até na rua e que pode ser bem aproveitado. São folhas riquíssimas em cálcio, ferro e é algo bem barato. “Com ele você pode fazer de sucos verdes a refogados. Você pode pegar o caruru e misturar com tomates secos, para fazer um recheio para coxinha, um pastel, pode misturar ainda com uma pasta de tucupi”, ensina Frank.

A nutricionista Pâmela Magalhães é quem acompanha as oficinas da Veg Casa, e dá dicas nutricionais para construir um prato em que eles consigam aliar a filosofia vegana com a boa nutrição e sabor. “Se você pegar esses elementos da culinária paraense agregando ervas que não são tão conhecidas, mas bastante nutritivas, você tem uma alimentação completa, com todos nutrientes”, garante.


(Lais Azevedo/Diário do Pará)

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