Sabrina Rossi, 37 anos, é uma oncologista que já fez parte da equipe do Instituto Nacional do Câncer. O pai dela é o renomado professor de mastologia da Escola Médica de Pós-Graduação da PUC-Rio, Ricardo Chagas. E mesmo os dois sendo tão conscientes sobre os riscos e tratamentos ao câncer de mama, “foi um choque”, diz ela, quando ele foi diagnosticado com a doença, considerada rara entre os homens - eles representam apenas 1% dos casos.
“Costumamos achar que as doenças nunca vão acontecer com a gente. Quando o diagnóstico chega, ficamos tristes e assustados. Ter a família e amigos por perto é fundamental para que o tratamento corra de forma mais leve”, afirma a médica.
O câncer de mama masculino e feminino têm sintomas muito parecidos. A diferença é mesmo que, como o homem não tem o hábito de fazer o autoexame, nem fazer exames de rotina, o diagnóstico costuma ser tardio. Normalmente são as companheiras, mães, filhas que descobrem o câncer de mama no homem, pois têm o hábito do autoexame e são mais atentas à saúde em geral do que eles. “Outra informação importante é que não existe protocolo de prevenção e rastreamento desse tipo de câncer em homem. Muitos não têm sequer a informação de que podem ter câncer de mama”, aponta Sabrina.
Em relação ao tratamento, é realizada uma biópsia e a partir daí é feita a cirurgia de retirada do nódulo, seguida ou não por quimioterapia, hormonoterapia ou radioterapia. “A diferença no tratamento não existe se o diagnosticado é homem ou mulher, mas depende do estágio de desenvolvimento da doença no paciente”, pontua a médica. O sinal mais comum do câncer de mama no homem é o mesmo que na mulher: um nódulo endurecido na região mamária ou na axila, que pode ou não atingir a pele e provocar uma ferida. Assim como nas mulheres, não há causas comprovadas da doença em homens, mas sabe-se que fatores hereditários podem contribuir para seu desenvolvimento.
Mensagens pelo celular criaram “diário” do tratamento
Mensagens pelo celular criaram “diário” do tratamento Em 121 dias, entre a descoberta do caso de câncer de mama e o fim do tratamento, Sabrina conta como foi receber a notícia da doença e acompanhar o tratamento do pai, através do livro “Como Estamos? O Desafio do Câncer de Mama”, lançado este mês e viabilizado pelo laboratório francês Pierre Fabre. A médica oncologista conta que esta foi sua primeira experiência como autora e que o desafio de escrever sobre um tema tão sério, e ainda, de forma que fosse acessível para leigos no assunto, foi superada ao utilizar as conversas que tinha com o pai pelo WhatsApp como ferramenta.
“Do dia em que meu pai me informou que havia sido diagnosticado com câncer de mama até o fim do tratamento, passamos a trocar muitas mensagens de texto. Diariamente nos falávamos assim, porque meu pai é uma pessoa bastante reservada e era uma forma de obter informações sobre como ele estava passando pelo tratamento”, conta a médica.
O livro foi escrito a partir das trocas de mensagem de texto. Em forma de diário, permite que a leitura seja rápida e fiel aos acontecimentos, incluindo ainda a troca de impressões técnicas com os médicos que assistiram seu pai.“Fiquei sensibilizada com o interesse e o carinho de todos com a minha história. Espero que a minha experiência contribua para as atividades dos meus colegas da área de saúde e para o cotidiano de pacientes, da família e dos amigos. Normalmente os homens não sabem que podem ter câncer de mama. Então, eles chegam muito assustados e sem ter a menor ideia de como será o tratamento. É importante que todas as pessoas que recebam esse diagnóstico, independente de serem homens ou mulheres, saibam que o câncer tem cura. E que quanto mais cedo é o diagnóstico, maior a chance de cura”, afirma Sabrina.
(Laís Azevedo/Diário do Pará)
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