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Depressão pós-parto atinge mulheres em todo o mundo

Ser mãe é um sonho de muitas mulheres e quase sempre a maternidade é vista de forma romântica, se resumindo aos cuidados com o desenvolvimento do bebê. No entanto, há outras preocupações que devem ocupar a mente das grávidas, principalmente os desafios de

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Ser mãe é um sonho de muitas mulheres e quase sempre a maternidade é vista de forma romântica, se resumindo aos cuidados com o desenvolvimento do bebê. No entanto, há outras preocupações que devem ocupar a mente das grávidas, principalmente os desafios de ser mãe. Ignorar essa parte pode trazer problemas emocionais à mulher e quase sempre é a principal causa da depressão pós-parto.

O problema atinge mulheres no mundo todo. Segundo a psicóloga clínica e hospitalar Flávia Vieira, pelo menos 85% delas apresentam alteração de humor durante e depois da gestação e outras 15% desenvolvem os sintomas da depressão após o parto. Oscilação de humor, tristeza, choro fácil, cansaço extremo e preocupação com o bebê são os principais deles.

No primeiro caso, os sentimentos iniciam logo após o nascimento do bebê e costumam desaparecer espontaneamente em até duas semanas. Quando o problema persiste é necessário ficar em alerta, pois é sinal de que a depressão está se intensificando. “A família e os amigos devem perceber a situação e procurar ajudar, pois a mulher, quase sempre, não consegue reconhecer o problema e buscar ajuda sozinha”, explica.

PSICOSE

Se não for tratada em tempo hábil, a depressão pós-parto pode evoluir para uma psicose puerperal, fase em que a mãe começa a apresentar delírios e alucinações. Isso ocorre porque ela tem um sentimento intenso de culpa pela gravidez e não consegue reconhecer o seu bebê. Não compreender a realidade e falar coisas sem sentido são as principais evidências. Em casos mais extremos pode ocorrer, inclusive, sentimento de suicídio.

A mãe deve buscar acompanhamento médico. Conversar com o ginecologista ou obstetra sobre as angústias que está sentindo é o primeiro passo. Para os casos mais leves, o tratamento é feito com psicólogos. O atendimento é coberto pelo SUS, via Unidades de Saúde. Já a psicose puerperal deve ter o acompanhamento de um psiquiatra. No Pará, o Hospital de Clínicas Gaspar Vianna é referência em assistência de pacientes com esse tipo de transtorno.

Grávida precisa do apoio do companheiro e familiares

Quase sempre a gravidez indesejada, sem apoio do parceiro e da família, são os fatores que mais contribuem para a depressão pós-parto. Foi exatamente o que aconteceu com a gestora ambiental Irilene Vale, de 36 anos. Ela engravidou aos 23 anos com apenas um mês de relacionamento com o pai do bebê. Na época, ela não pensava em ser mãe, morava no município de Tailândia, distante da família, estava desempregada e ainda não havia concluído os estudos. Além disso, não via no namorado o parceiro ideal para construir uma família. Sentindo-se desamparada, voltou para a casa dos pais, em Belém, com 3 meses de gestação, mas a família não via a gravidez com “bons olhos”. “Quando meu filho nasceu, olhei para ele e chorei muito. Não queria aquela criança, achava ele feio, não suportava dar de mamar. Foi uma sensação destruidora”, relata Irilene.

O sentimento de culpa foi aumentando e a depressão ficou cada vez mais intensa. A situação só melhorou após 4 meses, quando passou a conversar sobre o assunto com pessoas anônimas, na internet. Ela também começou a ler livros de autoajuda e fez terapia por 1 ano. “Aos poucos fui percebendo que minha vida não havia acabado”, diz a gestora.

FELIZ

Hoje, Irilene está grávida de 7 meses de seu segundo filho e novamente será mãe solteira, já que o ex-marido não aceitou a gravidez. Mas, ao contrário do que ocorreu no passado, Irilene, dessa vez, desejou a gravidez, está estabilizada financeiramente e feliz com a condição de mãe. “Estou aguardando a minha filha com muita expectativa e com a certeza de que terei uma família feliz”, garante.

SINTOMAS

- Insônia.

- Mau humor.

- Sentimento de culpa, solidão e tristeza extrema.

- Cansaço prolongado.

- Preocupação excessiva com o bebê.

- Alucinação (nos casos mais graves)

(Leidemar Oliveira)

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