O ministro do Meio Ambiente francês, Nicolas Hulot, anunciou sua renúncia na última terça-feira (27), alegando frustração com o progresso lento das metas contra as mudanças climáticas e da política de energia nuclear, o que representa um golpe para o presidente Emmanuel Macron.
Hulot, é ativista ambiental que costuma ter uma alta taxa de aprovação em pesquisas de opinião, anunciou sua saída durante uma entrevista à rádio France Inter, devido ao que chamou de um "acúmulo de decepções".
"Não quero mais mentir para mim mesmo, ou criar a ilusão de que estamos enfrentando estes desafios. Decidi, portanto, deixar o governo". — declarou ele.
As mudanças de diretriz, segundo Hulot, foram motivo de frustração. Ele afirmou que não tinha informado o presidente de sua saída antes de anunciar sua renúncia.
"Esse pode não ser o protocolo, mas se eu tivesse avisado, eles poderiam ter me convencido de mudar a decisão novamente". afirmou Hulot.
O ex-ministro também manifestou desapontamento depois que Macron hesitou na proibição do herbicida glifosato, vendido sob a marca Roundup, da Monsanto. O presidente também não conseguiu impedir que uma refinaria da petroquímica francesa Total parasse de produzir biocombustível com matéria-prima ligada ao desmatamento, ao que Hulot também se opôs. A renúncia vem um dia depois de Macron anunciar leis mais brandas para a caça, em uma atitude vista como uma tentativa de aumentar sua popularidade na zona rural.
Em sua entrevista de rádio, no entanto, Hulot enfatizou a ineficácia de "pequenos passos" para deter a mudança climática, expressando esperança de que sua saída possa "provocar reflexão profunda em nossa sociedade sobre a realidade do mundo".
O porta-voz do governo, Benjamin Griveaux, manifestou surpresa com a partida de Hulot, que, segundo ele, foi motivo de lamentação em Paris:
"Não entendo por que ele está saindo, se tivemos tantos sucessos no primeiro ano que são mérito dele. Ele não venceu todas as batalhas, mas é assim com todos os ministros. É um golpe do qual nos recuperaremos". disse Griveaux à BFM Television.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar