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BLASFÊMIA

Menino de 8 anos pode ser morto após urinar em biblioteca

Menino de 8 anos urinou em uma biblioteca de uma madraça, local onde ficam guardados livros religiosos

segunda-feira, 09/08/2021, 15:55 - Atualizado em 09/08/2021, 17:23 - Autor: Com informações de The Guardian


Apesar de não haver sentença de morte por blasfêmia desde a década de 80, os acusados costumam morrer linchados pela população
Apesar de não haver sentença de morte por blasfêmia desde a década de 80, os acusados costumam morrer linchados pela população | Reprodução

Você já imaginou uma criança enfrentar uma pena de morte por causa de uma ‘travessura’, ou algo do tipo? Foi o que aconteceu no Paquistão, local onde a religião também influencia na vida política e legislativa.

Um menino hindu de apenas 8 anos se tornou a pessoa mais jovem a ser acusado de blasfêmia em solo paquistanês. A sentença pode chegar até à pena de morte. Tudo isso porque o garoto urinou intencionalmente dentro da biblioteca de uma madraça, onde livros religiosos são guardados.

Houve reação por parte dos mulçumanos, após a libertação do menino acusado sob fiança, na semana passada. Eles queimaram um templo hindu de Punjab e membros da comunidade hindu também fugiram com medo de represálias.

Militares enviados ao local tentam ajudar a manter a paz.

No sábado, 20 pessoas foram presas em conexão com o ataque ao templo.

Um membro da família do garoto falou ao jornal The Guardian: “Ele [o menino] está ciente de tais questões de blasfêmia e tem sido indulgente com esses assuntos. Ele ainda não entende qual foi seu crime e por que foi preso por uma semana”.

“Deixamos nossas oficinas e trabalho, toda a comunidade está assustada e temos medo de reações. Não queremos voltar a esta área”, diz o familiar do menino.

A acusação de blasfêmia contra a criança chocou peritos jurídicos do mundo todo. A sentença pode levar à pena de morte, apesar de ninguém ter sido executado por esse crime desde 1986. Porém, frequentemente, os acusados são atacados e às vezes mortos por linchamento.

Ramesh Kumar, legislador e chefe do Conselho Hindu do Paquistão, disse: “O ataque ao templo e as acusações de blasfêmia contra o menor de oito anos realmente me chocaram. Mais de cem casas da comunidade hindu foram esvaziadas devido ao medo de ataques”.

Kapil Dev, ativista de direitos humanos, disse: “Exijo que as acusações contra o menino sejam retiradas imediatamente e exorto o governo a fornecer segurança para a família e aqueles que foram forçados a fugir”.

“Os ataques a templos hindus aumentaram nos últimos anos, mostrando um nível crescente de extremismo e fanatismo. Os recentes ataques parecem ser uma nova onda de perseguição aos hindus”, diz o ativista.

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