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INUNDAÇÃO

Vídeo: tempestade em Nova York mata ao menos 22

A enchente na região é consequência da tempestade Ida, um dos mais fortes fenômenos climáticos ocorridos no país.

quinta-feira, 02/09/2021, 14:02 - Atualizado em 02/09/2021, 14:02 - Autor: Com informações da Folhapress


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| Reprodução/Twitter

Os governadores de Nova York e Nova Jersey declararam estado de emergência na noite desta quarta-feira (1º) após os impactos da tempestade tropical Ida, que avança sobre o território americano desde o fim de semana, deixarem ao menos 22 mortos, segundo a imprensa americana. O fenômeno já é considerado um dos maiores eventos climáticos extremos observados nos EUA nas últimas décadas.

Até o final da manhã, nove mortes haviam sido confirmadas. Oito das vítimas, que tinham de 2 a 86 anos, moravam no Queens e no Brooklyn, bairros da cidade de Nova York, e morreram em meio a inundações causadas pelas fortes chuvas, de acordo com o departamento de polícia local. A outra morte, de um homem de 70 anos, foi confirmada na cidade de Passaic, em Nova Jersey, após o veículo em que ele estava ficar submerso. 

No começo da tarde, outras 13 vítimas fatais foram confirmadas e divulgadas pela imprensa local. Ainda não há informações sobre a identidade delas.

O prefeito de Nova York, o democrata Bill de Blasio, descreveu as enchentes e o clima observado na quarta como um "evento climático histórico", após o Serviço Meteorológico Nacional emitir cinco alertas seguidos de inundação repentina para todo o trecho do oeste da Filadélfia ao norte de Nova Jersey.

Quase todas as linhas do metrô de Nova York foram suspensas após a água da chuva entrar nas estações e inundar as plataformas e os trilhos. Autoridades locais orientaram as pessoas a não transitarem pelas ruas, a pé ou de carro, devido à intensidade das chuvas e dos ventos, e os veículos não emergenciais foram proibidos de circular nas ruas da cidade até às 5h do horário local.

A autoridade de trânsito nova-iorquina chegou a orientar que, aqueles que estivessem presos em vagões de trem, neles permanecessem. "É o lugar mais seguro para estar", escreveu o serviço em uma rede social.

Os estados também sofrem com o desabastecimento de energia elétrica –de acordo com a plataforma PowerOutages.US, que monitora o assunto, cerca de 43 mil consumidores de Nova York estão sem energia, bem como 61 mil de Nova Jersey.

O volume de chuvas registrado durante a passagem da tempestade Ida já é considerado recorde em diferentes regiões. No Central Park, que tem registros meteorológicos desde 1869, a chuva registrada na quarta quebrou o antigo recorde, de 1927. Na cidade de Newark, em Nova Jersey, o recorde anterior, de 1959, também foi superado.

Na quarta, a Organização Meteorológica Mundial (OMM), braço das Nações Unidas para questões do clima, disse que o furacão Ida pode ser o desastre climático mais caro da história, superando inclusive o furacão Katrina, que há 16 anos deixou cerca de 1.800 mortos.

A afirmação ocorreu pouco após a OMM lançar um relatório global demonstrando que a ocorrência de eventos climáticos extremos, como o Ida, aumentou cinco vezes nas últimas cinco décadas. As inundações, causa das mortes em Nova York e Nova Jersey nesta quarta, são o tipo de fenômeno mais frequente. Dos 11 mil desastres climáticos registrados de 1970 a 2019, elas corresponderam a 44%.

Outros documentos embasados pela comunidade científica também acendem o alerta para a emergência climática. O último relatório da Avaliação Nacional do Clima, feito por agências federais americanas, indicou que o aumento da precipitação extrema é projetado para todas as regiões dos EUA nas próximas cinco décadas, em especial no Centro-Oeste americano e no Nordeste.

"O ar mais quente pode conter mais vapor de água do que o ar frio. Análises globais mostram que a quantidade de vapor de água na atmosfera aumentou tanto sobre a terra quanto para os oceanos nas últimas décadas", diz um trecho do documento. Assim, segue o relatório, a mudança climática altera as tempestades, cuja ocorrência já é comum em latitudes médias, onde está localizada a maior parte do território americano.

Relatório do IPCC (sigla em inglês para Painel Intergovernamental de Mudança do Clima da ONU) divulgado no início de agosto também trouxe projeções preocupantes sobre o tema. Comparando a situação atual com a de 1850, o material calculou que o volume de água das tempestades já é 6,7% maior –e pode chegar a 30,2% no pior cenário.

Antes de chegar a Nova York, o Ida, então um furacão, já havia avançado sobre os estados de Louisiana e de Mississippi no início da semana, onde deixou cinco mortos e destruiu o sistema elétrico estatal. Até o momento, mais de 900 mil casas e empresas de Louisiana estão sem energia elétrica. Em todo o país, são cerca de 1,2 milhão de consumidores sem energia.

Autoridades nacionais não projetam que a situação seja menos difícil nos próximos dias. Em entrevista à rede americana CNN, Deanne Criswell, chefe da Agência Federal de Administração de Emergências (Fema, na sigla em inglês), disse que já alertou o presidente Joe Biden. "Ida vai continuar. Ela tem deixado seus rastros pelo país, e por isso ainda não estamos fora de perigo."

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