A história recente da América Latina costuma ser marcada por ciclos de esperança, frustração e disputas narrativas em torno da democracia. Em momentos de ruptura, líderes políticos e símbolos da oposição assumem o protagonismo do discurso público, buscando dar sentido a acontecimentos que ultrapassam fronteiras e reposicionam países inteiros no tabuleiro internacional. Foi nesse clima de virada histórica que a crise venezuelana ganhou novos contornos neste sábado (3).
Líder da oposição na Venezuela e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado comemorou publicamente a operação dos Estados Unidos contra o presidente Nicolás Maduro e afirmou que chegou o momento de Edmundo González Urrutia, candidato que reivindica a vitória na última eleição, assumir a presidência do país. Em comunicado divulgado nas redes sociais, Machado declarou que Maduro deverá responder na Justiça internacional pelos "crimes atrozes" cometidos contra o povo venezuelano e cidadãos estrangeiros.
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LONGA LUTA POLÍTICA
Segundo a opositora, a ofensiva liderada pelos Estados Unidos representa o desfecho de uma longa luta política. "Nós lutamos por anos, entregamos tudo, e valeu a pena. O que tinha que acontecer está acontecendo", escreveu, reforçando que a responsabilização de Maduro seria inevitável diante das denúncias acumuladas ao longo dos últimos anos.
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María Corina Machado também pediu o reconhecimento imediato de Edmundo González Urrutia como presidente da Venezuela. Para ela, a legitimidade do candidato deve ser assumida por todos os que "arriscaram tudo pela democracia" no processo eleitoral, incluindo as Forças Armadas. A opositora defendeu que González seja reconhecido como chefe da Força Armada Nacional, convocando oficiais e soldados a aderirem ao que classificou como um momento decisivo. "Esta é a hora dos cidadãos", afirmou.
TRANSIÇÃO DEMOCRÁTICA
Vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, Machado foi homenageada por sua atuação em defesa dos direitos democráticos e por buscar uma transição pacífica da ditadura para a democracia. À época, o presidente do Comitê Nobel, Jørgen Watne Frydnes, descreveu a líder opositora como "uma mulher que mantém a chama da democracia viva em meio à crescente escuridão".
Em tom mobilizador, Machado declarou que a oposição está preparada para fazer valer o mandato que reivindica nas urnas. "Chegou a hora de a soberania popular e a soberania nacional governarem nosso país. Vamos libertar os presos políticos, reconstruir a Venezuela e trazer nossos filhos de volta para casa", escreveu, defendendo vigilância e organização até a consolidação da transição democrática.
REAÇÃO INTERNACIONAL
A repercussão ganhou dimensão internacional após o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump afirmar que Nicolás Maduro e sua esposa foram capturados e levados para Nova York. Segundo Trump, a operação teria sido realizada por forças norte-americanas, com o uso do navio Iwo Jima, da Marinha dos EUA.
Horas depois, Trump publicou na rede Truth Social uma imagem que, segundo ele, mostraria Maduro detido a bordo da embarcação, usando óculos escuros e protetores auriculares. Até o momento, não foram divulgadas imagens da primeira-dama venezuelana. O governo da Venezuela ainda não confirmou oficialmente a informação, enquanto países da região acompanham o episódio com preocupação e reações diplomáticas cautelosas.
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