Em momentos de tensão geopolítica, o mercado costuma se mover menos por certezas e mais por expectativas. Conflitos, anúncios políticos e disputas por recursos estratégicos alteram o humor dos investidores quase instantaneamente, redefinindo apostas, reposicionando capitais e reacendendo velhas disputas por influência econômica. Foi sob esse clima de incerteza que o petróleo voltou ao centro das atenções globais.
Dois dias após o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, o preço do barril de petróleo mudou de direção e passou a subir nesta segunda-feira (5), movimento que ajudou a provocar uma forte reação nos mercados. As ações de petrolíferas americanas dispararam ainda no pré-mercado, algumas com ganhos superiores a 15%, enquanto Bolsas internacionais e títulos da dívida venezuelana também registraram valorização.
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PETROLÍFERAS DOS EUA VALORIZADAS
Os papéis de empresas do setor de energia nos EUA avançaram com a leitura de que a ofensiva do governo Donald Trump pode abrir caminho para maior presença americana nas reservas venezuelanas - consideradas as maiores do mundo. A Chevron, atualmente a única grande petroleira dos EUA com operações no país sul-americano, subiu 7,3%. Já refinarias como Phillips 66, Marathon Petroleum, Valero Energy e PBF Energy tiveram altas que variaram de 5% a 16%.
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AUMENTO NO PREÇO DO BARRIL DE PETRÓLEO
No mercado internacional, os contratos do petróleo chegaram a recuar no início do pregão, mas inverteram o sinal ao longo da manhã. O Brent, referência global, subia 0,43%, cotado a US$ 61,01, enquanto o WTI avançava 0,54%, a US$ 57,64, por volta das 9h10 (horário de Brasília).
No sábado (3), Trump anunciou que os EUA assumirão o comando da Venezuela durante um processo de transição política, afirmando que o petróleo do país voltará a ser explorado por empresas americanas. A declaração reforçou a percepção de mudança estrutural no controle da produção e da infraestrutura energética venezuelana.
PRODUÇÃO DE PETRÓLEO MANTIDA
Mesmo diante das tensões, a Opep+ decidiu no domingo (4) manter estáveis os níveis de produção, avaliando que o excesso de oferta global, após uma queda superior a 18% nos preços do petróleo em 2025, pode amortecer choques mais severos decorrentes da crise entre Washington e Caracas.
A Venezuela, que já produziu mais de 3,5 milhões de barris por dia nos anos 1970, hoje responde por cerca de 1% da oferta global, após anos de sanções e subinvestimento. Ainda assim, seu petróleo pesado e com alto teor de enxofre é considerado estratégico, sobretudo para refinarias da Costa do Golfo dos EUA, projetadas para esse tipo de óleo.
MERCADOS FINANCEIROS GLOBAIS
O impacto da crise também foi sentido nos mercados financeiros globais. Na Ásia, os principais índices chineses fecharam em alta, enquanto na Europa as Bolsas acompanharam o movimento positivo, com destaque para ações do setor de defesa, impulsionadas pelo aumento das preocupações geopolíticas.
Os títulos da dívida venezuelana e da estatal PDVSA registraram fortes ganhos, com alguns papéis avançando cerca de 20% no início do pregão europeu. Analistas apontam que, apesar da valorização acumulada em 2025, ainda há espaço para novas altas, impulsionadas pela expectativa de mudança política no país.
Para economistas, no entanto, os efeitos imediatos da crise tendem a ser mais concentrados nos mercados financeiros do que na economia global. "A remoção do presidente Nicolás Maduro pelos EUA provavelmente não terá consequências econômicas significativas no curto prazo", avaliou Neil Shearing, da Capital Economics.
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