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"NÃO ERREI"

Trump se recusa a pedir desculpas por vídeo racista de Obama

Presidente diz não ter errado ao divulgar conteúdo com ataques aos Obamas e culpa equipe pela publicação

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Imagem ilustrativa da notícia Trump se recusa a pedir desculpas por vídeo racista de Obama camera Após publicação, reação de democratas foi imediata, repudiando atitude de Donald Trump. | Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (06) que não pretende se desculpar pela publicação de um vídeo de teor racista nas redes sociais dele, no qual o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama aparecem retratados como macacos. A divulgação do conteúdo provocou indignação entre líderes democratas e levou a Casa Branca a apresentar versões divergentes sobre o episódio.

Questionado por jornalistas, Trump disse que não assistiu ao vídeo por completo antes de autorizar a publicação. "Só vi a primeira parte, que falava sobre fraude eleitoral... e não o vi completo", declarou.

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A bordo do Air Force One, o republicano afirmou ainda que encaminhou o material à equipe dele para que fosse publicado e que os assessores também não teriam visto o conteúdo integralmente. "Geralmente elas [da equipe] olham tudo, mas acho que alguém não olhou", acrescentou.

Apesar da repercussão negativa, o presidente negou ter cometido qualquer erro. "Não, eu não cometi um erro", afirmou Donald Trump, segundo o jornal The New York Times.

Inicialmente, a Casa Branca tentou minimizar o episódio. O vídeo foi retirado do ar cerca de 12 horas após a publicação. Em um primeiro momento, a porta-voz Karoline Leavitt classificou a reação como exagerada e criticou a cobertura da imprensa.

"Isso é um trecho de um vídeo publicado na internet que mostra o presidente Trump como rei da selva e os democratas como personagens do 'Rei Leão'. Parem com essa indignação falsa e relatem algo que realmente importe ao público americano hoje", disse em comunicado enviado à AFP.

Com o aumento da repercussão do caso, especialmente pelo fato de Barack Obama ser o único presidente negro da história dos Estados Unidos, a Casa Branca mudou o discurso. Um alto funcionário do governo afirmou à AFP que "um funcionário da Casa Branca publicou esse conteúdo por engano. Ele foi apagado", sem detalhar como funciona a gestão da conta pessoal de Trump na rede Truth Social.

Publicado na quarta-feira (04), o vídeo traz teorias da conspiração sobre fraude eleitoral e repete alegações falsas de que a empresa Dominion Voting Systems teria ajudado a roubar a eleição presidencial de 2020.

Contudo, em determinado momento, com duração aproximada de um segundo, os rostos de Barack e Michelle Obama aparecem sobrepostos aos corpos de macacos, ao som da música The Lion Sleeps Tonight. O conteúdo foi postado duas vezes e, poucas horas após a publicação, já acumulava milhares de curtidas e cerca de duas mil compartilhamentos.

Trump se recusa a pedir desculpas por vídeo racista de Obama
📷 |Reprodução/Redes sociais

Nas redes sociais, a reação de democratas ao vídeo foi imediata. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, cotado como possível candidato à Presidência em 2028, repudiou o vídeo. "Comportamento repugnante do Presidente. Todo republicano deve denunciar isto. Agora", publicou o gabinete de imprensa de Newsom na rede X.

Ben Rhodes, ex-conselheiro de Segurança Nacional e aliado próximo de Obama, também criticou duramente a publicação. "Deixem que Trump e seus seguidores racistas sejam assombrados porque os americanos do futuro verão os Obamas como figuras queridas, enquanto o estudam como uma mancha em nossa história", escreveu.

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Barack Obama apoiou a democrata Kamala Harris na disputa presidencial de 2024, vencida por Trump. Desde o início do segundo mandato, o republicano tem intensificado o uso de conteúdos provocativos e de imagens geradas por inteligência artificial para mobilizar a base conservadora na Truth Social.

No ano passado, Trump já havia causado polêmica ao divulgar um vídeo feito com IA que mostrava Obama sendo preso no Salão Oval, usando uniforme laranja de detento e atrás das grades.

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