O ato de consumir entretenimento, algo trivial em quase todo o planeta, tornou-se uma roleta-russa ideológica na Coreia do Norte. Sob o comando de Kim Jong-un, o regime endureceu a caça a qualquer rastro da cultura sul-coreana, tratando pen drives com músicas e séries como armas de subversão.
De acordo com denúncias recentes da Anistia Internacional, a repressão ultrapassou os muros das prisões e voltou a ocupar as praças públicas, onde a morte é utilizada como uma ferramenta pedagógica de terror para desencorajar o consumo do que o governo chama de "ideologia corrupta".
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O teatro da morte e a Lei Antirreacionária
A intensificação da violência tem base jurídica: a Lei de Pensamento e Cultura Antirreacionários, implementada em 2020. O texto legal é implacável, prevendo até 15 anos de campos de reeducação pelo simples porte de conteúdos estrangeiros. Em casos de distribuição ou exibição coletiva, a sentença de morte é a aplicação padrão.
Testemunhas relatam que adolescentes de 16 e 17 anos são levados pelas escolas para assistir a execuções de vizinhos, uma estratégia de controle social desenhada para marcar psicologicamente as novas gerações.
Os alvos não são aleatórios. Sucessos globais como o K-pop do grupo BTS e produções da Netflix como Round 6 e Pousando no Amor encabeçam a lista negra do regime. A perseguição é executada pelo temido "Grupo 109", uma unidade especializada em invadir residências e confiscar dispositivos eletrônicos sem qualquer aviso prévio.
Corrupção e privilégio: o preço da liberdade
Apesar do rigor ideológico, o relatório expõe uma estrutura de punição profundamente desigual. A sobrevivência após um flagrante muitas vezes não depende da inocência, mas do poder financeiro e das conexões políticas da família do acusado. Relatos de desertores indicam que o suborno é a regra dentro da polícia e das unidades de fiscalização:
- Negociação de penas: Famílias chegam a vender as próprias casas para arrecadar entre 5 mil e 10 mil dólares para pagar propinas e livrar parentes dos campos de trabalho.
- Privilégio do alto escalão: Enquanto a base da pirâmide morre por um vídeo, membros do partido e agentes de segurança assistem aos conteúdos escondidos, protegidos por sua posição na hierarquia.
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Essa dualidade mostra que, enquanto o regime tenta blindar o país contra o "capitalismo corrupto" do Sul, a própria máquina estatal opera sob uma lógica de mercado clandestino, onde o dinheiro define quem vive e quem morre pelo direito de assistir a um filme.
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