Em meio ao ruído constante das tensões internacionais e aos movimentos silenciosos da diplomacia global, iniciativas de bastidores começam a desenhar possíveis saídas para conflitos que, à primeira vista, parecem insolúveis. É nesse cenário de incertezas e disputas geopolíticas que surge uma nova tentativa de reequilibrar forças no Oriente Médio.
Os Estados Unidos encaminharam ao Irã uma proposta de paz que pode representar um ponto de inflexão na guerra que já se arrasta há quase um mês na região. Os detalhes vieram à tona na última terça-feira (24), após divulgação por veículos da imprensa americana e israelense.
CONTEÚDO RELACIONADO
- Após chamar acordo com Trump de 'fake news', Irã ataca Israel
- Irã ameaça fechar completamente o estreito de Ormuz
- Comissária é ejetada de voo e sobrevive após acidente aéreo
De acordo com o jornal The New York Times, o plano foi entregue a Teerã por meio de interlocução com o Paquistão. Ainda não há confirmação sobre eventual participação de Israel na elaboração da proposta nem se o país concorda com os termos apresentados.
Quer mais notícias internacionais? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.
Segundo o Canal 12, de Israel, um dos pontos centrais prevê a adoção de um cessar-fogo de 30 dias, período que seria utilizado para a condução de negociações diplomáticas. Já o The Wall Street Journal informou que mediadores da Turquia, Egito e Paquistão trabalham para viabilizar um encontro entre representantes americanos e iranianos, possivelmente na quinta-feira (26). Até o momento, não há indicação de que o Irã esteja disposto a aceitar as condições.
PLANO DE PAZ COM 15 PONTOS
O plano elaborado por Washington reúne 15 itens e aborda temas sensíveis, como o programa nuclear e o desenvolvimento de mísseis balísticos iranianos. Um rascunho obtido pelo Canal 12 indica que os Estados Unidos exigem o compromisso de Teerã de não desenvolver armas nucleares, além da limitação do alcance e da quantidade de seus mísseis.
Entre as medidas propostas também estão a desativação de instalações de enriquecimento de urânio em Natanz, Isfahan e Fordow, bem como o fim do financiamento a grupos aliados na região, como Hamas e Hezbollah. Outro ponto relevante prevê a criação de uma zona marítima livre no Estreito de Ormuz, área estratégica para o transporte global de petróleo.
SUSPENSÃO DAS SANÇÕES ECONÔMICAS
Em contrapartida, segundo o Wall Street Journal, os Estados Unidos acenam com a suspensão das sanções econômicas impostas ao Irã no contexto de seu programa nuclear. Além disso, Washington se propõe a auxiliar e monitorar o desenvolvimento de um programa nuclear civil com fins exclusivamente pacíficos.
Ainda conforme o jornal, a proposta segue, em linhas gerais, diretrizes já defendidas pelos americanos antes do início do conflito, em 28 de fevereiro. Por outro lado, há a expectativa de que o Irã apresente demandas próprias, incluindo possíveis reparações pelos recentes bombardeios sofridos.
Até a última atualização, nem a Casa Branca nem o governo iraniano haviam se pronunciado oficialmente sobre o conteúdo do plano.
VERSÕES DIFERENTES
As movimentações diplomáticas ocorrem em meio a declarações contraditórias. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que seu governo mantém diálogo com Teerã para encerrar o conflito. Segundo ele, o Irã “"não tem mais líderes" e estaria disposto a firmar um acordo.
"Eles gostariam de fazer um acordo. Eles concordaram que nunca terão uma arma nuclear”, declarou Trump durante entrevista na Casa Branca. A versão, no entanto, é contestada pelo próprio Irã, que nega qualquer negociação de cessar-fogo em curso com os americanos.
QUEDA DE POPULARIDADE
Enquanto isso, a escalada militar segue no radar. De acordo com a agência Reuters, os Estados Unidos preparam o envio de milhares de soldados para o Oriente Médio. Na semana anterior, a mesma agência revelou que autoridades avaliam a possibilidade de uma operação terrestre, incluindo a tomada da ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo iranianas.
No cenário interno, os reflexos da guerra também já são sentidos. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na terça-feira indica que a aprovação do governo Trump caiu para 36%, o índice mais baixo de seu segundo mandato. O levantamento aponta que o conflito com o Irã e a alta nos preços dos combustíveis estão entre os principais fatores para a queda na popularidade do presidente.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar