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ALERTA SANITÁRIO

Surto de ebola cresce 40% e já soma mais de 200 mortes

CDC alerta que epidemia no Congo e em Uganda é a mais grave já registrada, com milhares de contatos sob investigação e rápida expansão do vírus

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Imagem ilustrativa da notícia Surto de ebola cresce 40% e já soma mais de 200 mortes camera Situação é agravada pelas dificuldades de rastreamento de contatos, já que a região afetada enfrenta isolamento, conflitos armados e forte instabilidade. | Tânia Rego/Ag. Brasil

De acordo com dados divulgados pelo Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (CDC África) nesta semana, o surto de ebola que atinge o Congo e Uganda teve um aumento expressivo de 38% em apenas uma semana e já é considerado o mais grave já registrado nos últimos ano.

Apenas no primeiro mês de disseminação da doença, mais de 200 mortes foram confirmadas nas regiões. Além disso, há estimativas de que até 35 mil pessoas foram possivelmente expostas ao vírus.

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De acordo com o epidemiologista médico do CDC África, Wessam Mankoula, já são 894 casos confirmados, número que torna o atual surto três vezes maior do que o registrado em Uganda no ano 2000, quando foram contabilizados 281 casos.

Contudo, a autoridade alerta que o cenário pode ser ainda mais grave do que os números oficiais indicam. “Para esses 800 casos confirmados, deveríamos ter entre 17 mil e 35 mil contatos em nossa lista”, disse Mankoula. “Ainda estamos longe de controlar a situação deste surto”, acrescentou.

Segundo os últimos registros, a disseminação da doença já atinge 32 zonas de saúde no leste da República Democrática do Congo, com mais de 90% dos casos concentrados na província de Ituri. Regiões como Kivu do Norte e Kivu do Sul também registram infecções, além de casos que já atravessaram a fronteira com Uganda, onde foram confirmados 19 casos e duas mortes.

De acordo com as autoridades, o vírus responsável pela atual epidemia é o Bundibugyo, considerado raro e que não possui vacina ou tratamento aprovado, nem testes eficazes nos estágios iniciais da infecção. Diferente dele, o vírus Zaire, mais comum e já com vacina disponível, foi o causador da maioria dos surtos anteriores no Congo.

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Ainda segundo as autoridades, a situação é agravada pelas dificuldades de rastreamento de contatos, já que a região afetada enfrenta isolamento, conflitos armados e forte instabilidade. De acordo com dados do escritório humanitário da ONU, cerca de um milhão de pessoas foram deslocadas em Ituri ao longo dos anos devido à violência, o que dificulta o acompanhamento dos possíveis infectados.

Além disso, a área possui florestas densas, estradas precárias e comunidades remotas de difícil acesso. Com esse cenário, as últimas pesquisas mostraram que apenas cerca de 4 mil contatos foram rastreados, número que representa menos de 15% do total estimado.

Outro problema enfrentado está ligado ao financiamento para conter a epidemia. Dos mais de US$ 900 milhões prometidos para o enfrentamento do surto, apenas US$ 90 milhões foram efetivamente liberados até o momento. O CDC África estima que seriam necessárias pelo menos 540 pessoas para a resposta à crise, mas conta atualmente com apenas 84 profissionais atuando no combate.

“Estamos torcendo para que esses novos compromissos sejam acelerados e acompanharemos de perto o assunto com os diferentes Estados-Membros e parceiros para verificar a responsabilidade em transformar esses compromissos em dinheiro real liberado para os países ou parceiros afetados”, afirmou Mankoula.

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