Um carro avançou contra pessoas que participavam da parada do orgulho LGBTQIA+ em Berlim neste sábado (25), matando pelo menos uma pessoa e ferindo outras 17, informou a polícia da capital da Alemanha.
Entre os 17 feridos, oito tiveram ferimentos graves, e desses, três estavam em estado de risco de morte, informou um porta-voz do corpo de bombeiros de Berlim. Segundo o jornal alemão Die Zeit, o possível suspeito é conhecido das autoridades por ligações com extremistas islâmicos.
A corporação publicou na rede social X que atendeu a uma ocorrência no famoso parque Tiergarten, no centro da cidade, próximo ao Portão de Brandemburgo, onde um veículo atingiu diversas pessoas por volta das 22 horas, horário local (17 horas pelo horário de Brasília).
A polícia informou à agência de notícias AFP que encontrou o carro que acreditam ter sido usado no incidente. O veículo foi abandonado no Tiergarten, onde a parada terminaria, e o motorista ainda não foi encontrado. "Estamos em busca intensa por suspeitos", afirmou um porta-voz da polícia de Berlim.
Horas mais tarde, a polícia identificou Abdul B., 21, como o principal suspeito neste caso e pediu ao público qualquer informação sobre seu paradeiro, incluindo fotografias. Ele é descrito como magro, com aproximadamente 1,90 m de altura, cabelo preto e vestindo um moletom preto com capuz e calças brancas.
A polícia alertou que, em hipótese alguma, ele deve ser abordado ou contatado diretamente, pois pode estar armado e ser perigoso. Um porta-voz da polícia disse a repórteres que Abdul B. supostamente tem ligações com círculos islâmicos.
A corporação ainda descreveu o veículo utilizado como branco, dizendo que se trata de uma minivan. O tabloide Bild citou uma testemunha segundo a qual uma van branca avançou sobre a multidão em alta velocidade. Em seguida, um homem teria saído do veículo e fugido a pé.
"Segundo nossas informações mais recentes, o veículo entrou no Tiergarten por volta das 22h, ferindo várias pessoas no processo, e parou depois de bater em uma árvore", disse um porta-voz da polícia no local. "Ele estava vazio, motivo pelo qual estamos trabalhando intensamente para localizar o autor ou autores", acrescentou.
Centenas de milhares de pessoas se reuniam pacificamente na capital alemã para as celebrações anuais do Christopher Street Day (CSD), um dos maiores eventos do orgulho LGBTQ+ da Europa. O CSD foi interrompido, e a polícia pediu aos participantes que fossem para casa. A área onde as pessoas ficaram feridas foi isolada.
O porta-voz da polícia, Florian Nath, disse que alguns dos sobreviventes ficaram feridos "gravemente", sem dar mais detalhes.
Um jornalista da AFP no local observou a área em plena desocupação. Através de alto-falantes, as autoridades pediam que os presentes fossem para o norte da cidade. Ao menos uma dezena de caminhões de emergência eram visíveis e uma tenda foi erguida no meio da rua.
Os festejos foram cancelados e a polícia pediu aos participantes que "não cruzem" o parque pelo bosque, mas que usem exclusivamente as ruas.
"É um dos piores dias para a comunidade queer, um dia que eu pessoalmente esperava nunca ter que viver... Estou em choque', disse Julian Methig, que participava do evento, à Reuters.
No X, o prefeito de Berlim, Kai Wegner, afirmou que trata-se de um "ataque à nossa sociedade livre e cosmopolita após um CSD pacífico e colorido." Ele lamentou o caso e disse confiar na polícia e nas autoridades de segurança para investigarem o ocorrido com o máximo empenho.
"Berlim é a cidade da liberdade —e nossa liberdade foi atacada hoje de forma terrível. Meus pensamentos estão com as vítimas, suas famílias e amigos", diz publicação.
O premiê alemão, Friedrich Merz, prometeu punição aos responsáveis. Em um comunicado, Merz afirmou que ele e o ministro do Interior, Alexander Dobrindt, "vão insistir para que este ato horrível seja plenamente investigado e punido" e acrescentou que ambos se mantêm informados sobre a investigação policial.
O Christopher Street Day atrai centenas de milhares de pessoas à capital alemã todos os anos. O evento celebra a revolta de Stonewall de 1969, em Nova York, e combina uma parada com reivindicações políticas por igualdade, inclusão e proteção contra discriminação.
Realizado pela primeira vez em Berlim Ocidental em 1979, o CSD cresceu de uma pequena manifestação para um dos principais eventos do calendário cultural e político da cidade. A parada é o ponto central do CSD, mas é acompanhada por uma ampla variedade de eventos políticos, culturais e festas realizados por toda a cidade.
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SÉRIE DE ATAQUES COM CARROS
A Alemanha tem sofrido nos últimos anos uma série de ataques em que um carro avança sobre uma multidão, causando mortes.
Em maio, um homem que acredita-se ter problemas de saúde mental dirigiu seu carro contra uma área de pedestres no centro da cidade de Leipzig, no leste do país, matando duas pessoas e ferindo gravemente outras três.
No ano passado, duas pessoas morreram na cidade de Mannheim, no oeste da Alemanha, quando um homem de 40 anos, descrito pelas autoridades como psicologicamente instável, dirigiu um carro contra um grupo de pedestres. Semanas antes, um cidadão afegão realizou um ataque semelhante contra uma manifestação sindical em Munique, matando duas pessoas e ferindo mais de 40, muitas delas crianças.
Em dezembro de 2024, várias pessoas morreram em um ataque com carro contra um mercado de Natal na cidade de Magdeburgo, no leste do país. O suspeito era um psiquiatra saudita com histórico de discurso antimuçulmano que vivia na Alemanha havia quase duas décadas.
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