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CESSAR-FOGO

Hamas anuncia plano de desarmamento em Gaza; Israel não confirma

Acordo que propõe retirada progressiva das tropas israelenses abre nova fase das negociações, com previsão de atuação de força multinacional na Faixa de Gaza.

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Imagem ilustrativa da notícia Hamas anuncia plano de desarmamento em Gaza; Israel não confirma camera Hamas aceita discutir desarmamento em acordo que prevê retirada gradual de Israel da Faixa de Gaza. | Reprodução/Telegram - Hamas

O Hamas confirmou um compromisso para avançar nas negociações sobre o desarmamento do grupo e a retirada progressiva das tropas de Israel da Faixa de Gaza, em um acordo que poderá marcar uma nova etapa do cessar-fogo. O entendimento também prevê a criação de uma administração formada por técnicos palestinos e a presença de uma força multinacional para acompanhar a transição. O governo israelense ainda não comentou oficialmente o anúncio.

Atualmente, as forças israelenses controlam mais de 60% do território de Gaza. A ofensiva militar foi iniciada após os ataques promovidos pelo Hamas em solo israelense, em 7 de outubro de 2023, conflito que desencadeou uma guerra de grandes proporções e uma grave crise humanitária no enclave palestino.

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CRONOGRAMA PREVÊ TRANSIÇÃO ADMINISTRATIVA E CONTROLE INTERNACIONAL

Pelas condições apresentadas, as próximas duas semanas serão dedicadas à definição de um calendário para a transferência gradual da administração de Gaza a um governo técnico. Paralelamente, o armamento pesado do Hamas deverá ser armazenado imediatamente sob supervisão internacional.

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O plano também estabelece o envio de uma força multinacional ao território palestino para acompanhar a implementação do acordo. Apesar disso, integrantes do Hamas afirmam que o grupo não pretende entregar seu arsenal antes que a retirada das tropas israelenses seja efetivamente iniciada.

HAMAS AFIRMA QUE FEZ CONCESSÕES PARA PROTEGER A POPULAÇÃO DE GAZA

Segundo Ghazi Hamad, integrante da equipe de negociação do Hamas, o movimento aceitou fazer concessões com o objetivo de reduzir o sofrimento da população palestina. "O Hamas fez concessões pelo bem do nosso povo na Faixa de Gaza, para salvá-lo da morte e do deslocamento", afirmou o dirigente.

Hamad também informou que o grupo confia na atuação dos mediadores internacionais e do chamado Conselho de Paz, criado em janeiro pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para garantir que Israel cumpra as etapas previstas no entendimento.

COMITÊ TÉCNICO SERÁ RESPONSÁVEL PELO PROCESSO DE DESARMAMENTO

O dirigente revelou ainda que o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG) ficará encarregado do processo de desarmamento do Hamas. O órgão reúne tecnocratas palestinos e foi estruturado para administrar os serviços civis e a gestão cotidiana da Faixa de Gaza durante o período de transição.

Embora esteja atualmente sediado no Egito, o NCAG ainda não conseguiu ingressar no território palestino devido às restrições impostas por Israel, segundo informações divulgadas por veículos de comunicação egípcios e palestinos.

De acordo com Hamad, as próximas reuniões serão dedicadas à definição dos detalhes operacionais e do cronograma de execução do acordo, um processo que poderá durar aproximadamente duas semanas, ou até mais.

ISRAEL MANTÉM CAUTELA SOBRE RETIRADA DAS TROPAS

Em Israel, a proposta foi recebida com reservas. O governo israelense considera que o desarmamento completo e antecipado do Hamas continua sendo uma condição indispensável para iniciar a retirada de suas tropas da Faixa de Gaza.

Mesmo com o cessar-fogo em vigor desde outubro do ano passado, confrontos continuam sendo registrados. Na quinta-feira, ataques israelenses deixaram pelo menos quatro mortos, conforme autoridades de saúde locais. Enquanto isso, o Egito segue sediando rodadas de negociações voltadas à implementação da segunda fase do acordo, cujo objetivo é encerrar definitivamente a guerra.

FORÇA INTERNACIONAL DEVERÁ ACOMPANHAR IMPLEMENTAÇÃO DO ACORDO

O representante do Conselho de Paz para Gaza, Nikolai Mladenov, afirmou que a execução do acordo exigirá mecanismos concretos de fiscalização. Segundo ele, o avanço da retirada das tropas israelenses deverá ocorrer simultaneamente ao processo de desarmamento.

Em publicação na rede X, o Conselho de Paz informou que pretende iniciar, em breve, uma transição gradual para assumir plenamente a autoridade administrativa na Faixa de Gaza, com apoio da Força Internacional de Estabilização (ISF), organização multinacional atualmente em formação.

TRUMP E ALEMANHA APOIAM NOVA FASE DAS NEGOCIAÇÕES

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou o entendimento como uma "etapa monumental rumo a uma paz e segurança duradouras". Segundo ele, a Força Internacional de Estabilização atuará futuramente em conjunto com uma nova força policial palestina para garantir a segurança no território.

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, também manifestou apoio ao acordo. Para ele, o Hamas não pode voltar a representar uma ameaça para Israel e a chegada da força internacional deve ser acompanhada pela abertura de novos pontos de acesso à Faixa de Gaza para facilitar a assistência e a implementação das medidas previstas.

GUERRA JÁ DEIXOU MAIS DE 73 MIL MORTOS EM GAZA

O conflito começou após o ataque realizado pelo Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, episódio que levou o governo israelense a iniciar uma ampla ofensiva militar na Faixa de Gaza. Desde então, mais de 73,3 mil pessoas morreram no território palestino, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde de Gaza, órgão administrado pelo Hamas. O conflito continua sendo alvo de intensos esforços diplomáticos para alcançar um cessar-fogo permanente e estabilizar a região.

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