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CRISE MIGRATÓRIA

Imigrantes do Marrocos morrem em Ceuta ao tentar chegar à Espanha

Chegada de migrantes rumo a Ceuta mobiliza forças de segurança, leva ao fechamento de fronteira e amplia tensão entre Espanha, Marrocos e países da UE.

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Imagem ilustrativa da notícia Imigrantes do Marrocos morrem em Ceuta ao tentar chegar à Espanha camera Ceuta e Melilla são enclaves espanhóis localizados no Norte da África, em território reivindicado por Marrocos. | Anarkangel/Wikimedia Commons

A crise migratória na fronteira entre o Marrocos e o enclave espanhol de Ceuta ganhou novos capítulos nesta sexta-feira (31/07), quando centenas de migrantes voltaram a se concentrar na região após uma onda de travessias ilegais. Pelo menos 18 pessoas morreram afogadas tentando alcançar território espanhol, enquanto a Espanha reforçou o efetivo policial e militar e intensificou medidas para conter a entrada irregular.

As autoridades estimam que quase 40 mil migrantes tenham cruzado a fronteira nas últimas 24 horas, em um dos maiores fluxos registrados na região. As mortes ocorreram durante tentativas de atravessar a nado a fronteira do Tarajal, trecho que separa o Marrocos de Ceuta e é conhecido pelas fortes correntezas do Mar Mediterrâneo.

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Enquanto centenas de pessoas continuavam tentando alcançar o enclave espanhol, grupos permaneciam concentrados próximos à fronteira aguardando novas oportunidades para atravessar.

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ESPANHA REFORÇA SEGURANÇA EM CEUTA E MELILLA

Diante da escalada da crise, o governo espanhol enviou reforços das forças policiais e militares para Ceuta. O primeiro-ministro Pedro Sánchez viajou ao enclave acompanhado do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, para acompanhar a situação de perto e se reunir com autoridades locais e equipes responsáveis pelo controle da fronteira.

Além das ações em Ceuta, a Espanha determinou o fechamento da passagem de Beni Enzar, localizada em Melilla, outro enclave espanhol situado a cerca de 400 quilômetros de Ceuta e que também é utilizado por migrantes como rota de entrada na Europa.

Segundo a prefeitura de Melilla, entre 300 e 400 migrantes conseguiram entrar na cidade. Informações divulgadas pelo jornal El País indicam que o número de mortos pode ter subido para 19, sendo a maioria jovens e adolescentes.

DECISÃO DA SUPREMA CORTE INFLUENCIOU AUMENTO DAS TRAVESSIAS

De acordo com o ministro espanhol da Política Territorial, Ángel Víctor Torres, diversos fatores contribuíram para o aumento das tentativas de entrada irregular. Entre eles está uma decisão recente da Suprema Corte da Espanha.

O tribunal determinou que migrantes interceptados no mar durante tentativas de chegar a Ceuta ou Melilla não podem ser devolvidos imediatamente aos seus países de origem com base no regime especial aplicado aos dois enclaves.

Mesmo com a decisão, o ministro afirmou que o governo espanhol pretende realizar o retorno dos migrantes "no momento oportuno", respeitando tanto as determinações judiciais quanto os direitos das pessoas envolvidas.

RUMORES NAS REDES SOCIAIS INCENTIVARAM DESLOCAMENTO

As autoridades marroquinas também reforçaram o controle sobre os deslocamentos internos. A rodoviária da capital, Rabat, permaneceu movimentada, enquanto diversas estações passaram a adotar fiscalização mais rígida para impedir viagens em direção às cidades do norte do país.

Segundo relatos, muitos jovens - inclusive menores de idade - foram motivados por rumores disseminados nas redes sociais que apontavam uma suposta abertura da fronteira entre Marrocos e Espanha. Na prática, porém, as travessias continuaram ocorrendo de forma clandestina, geralmente em grandes grupos.

TRAVESSIAS OCORREM EM ÁREA DE ALTO RISCO

Vestindo roupas de mergulho e, em alguns casos, utilizando nadadeiras, diversos migrantes enfrentaram uma das áreas mais perigosas do Mediterrâneo. As fortes correntezas tornam a travessia extremamente arriscada, exigindo horas de natação até alcançar Ceuta, localizada próxima ao Estreito de Gibraltar.

Durante a madrugada, milhares de pessoas chegaram à cidade marroquina de Fnideq, nas proximidades de Ceuta, tentando encontrar rotas alternativas para entrar em território espanhol. A maior parte das tentativas, entretanto, foi frustrada pela atuação das forças de segurança.

Brahim, de 32 anos, contou que saiu de Tânger com a expectativa de atravessar a fronteira, mas encontrou o posto de passagem fechado. Outro migrante relatou ter ficado preso em meio ao empurra-empurra durante uma tentativa de travessia. "Temi pela minha vida", afirmou.

Enquanto isso, as autoridades marroquinas utilizaram canhões de água e reforçaram o policiamento para impedir a aproximação dos grupos à fronteira.

CRISE MOBILIZA FRANÇA, ITÁLIA E UNIÃO EUROPEIA

A situação também provocou reações em outros países europeus. O ministro do Interior da França, Laurent Nuñez, informou que manterá novas reuniões com o governo espanhol e anunciou a ativação da Força de Intervenção Rápida de Fronteira para ampliar a fiscalização na divisa franco-espanhola.

Segundo ele, os controles existentes já foram reforçados nos últimos meses e poderão ser intensificados caso haja deslocamentos de migrantes em direção ao território francês.

Na Itália, a primeira-ministra Giorgia Meloni declarou que avalia suspender os acordos de livre circulação do Espaço Schengen com a Espanha. O governo italiano critica o processo de regularização promovido por Madri desde abril para mais de meio milhão de migrantes sem documentação, alegando que a medida estimula o tráfico de pessoas.

O ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani, compartilha dessa avaliação. Já o comissário europeu para Assuntos Migratórios, Magnus Brunner, colocou a agência europeia Frontex à disposição da Espanha para reforçar o controle das fronteiras e defendeu o retorno rápido dos migrantes ao Marrocos.

Ao final das negociações, os governos de Espanha e Marrocos anunciaram que ampliarão a cooperação entre os dois países para conter os fluxos migratórios e acelerar o repatriamento das pessoas que entraram ilegalmente em Ceuta.

ENTENDA OS ENCLAVES ESPANHÓIS

Ceuta e Melilla são dois enclaves espanhóis localizados no norte da África, em território cercado pelo Marrocos. Separadas pelo Estreito de Gibraltar, as cidades pertencem à Espanha há séculos, antes mesmo da formação do Estado marroquino, segundo o governo espanhol.

Essa condição faz com que os enclaves representem a única fronteira terrestre entre a África e a União Europeia, tornando-se uma das principais rotas utilizadas por migrantes que tentam entrar no continente europeu de forma irregular. O Marrocos, por sua vez, reivindica a soberania sobre os dois territórios, o que mantém um histórico de disputas diplomáticas entre os dois países.

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