Uma operação sigilosa mobilizou autoridades dos Estados Unidos durante a passagem do presidente Donald Trump pela Turquia, em junho. Diante de uma ameaça considerada concreta vinda do Irã, integrantes da Casa Branca e do governo americano organizaram uma estratégia para retirar o presidente do país sem revelar publicamente qual aeronave ele utilizaria.
A informação foi divulgada por uma autoridade sênior dos EUA e detalhada anteriormente por veículos como The Washington Post e The New York Times. Segundo o relato, Trump chegou a ser apresentado aos jornalistas como passageiro de uma aeronave que, na prática, funcionaria como uma espécie de chamariz.
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A operação ocorreu durante a cúpula da OTAN, realizada na Turquia. O objetivo era evitar que informações sobre o deslocamento real do presidente fossem utilizadas por possíveis ameaças.
Trump chegou a embarcar em avião diferente
Durante a viagem à Turquia, Trump utilizou um Boeing 747-8 cedido pelo Catar, aeronave que havia chamado atenção por ser mais sofisticada e luxuosa que os aviões tradicionalmente empregados nas viagens presidenciais americanas.
O presidente, entretanto, havia indicado que não utilizaria o avião para deixar a Turquia. Em vez disso, afirmou que retornaria aos Estados Unidos a bordo de uma aeronave militar mais antiga, fazendo referência aos aviões usados tradicionalmente como Air Force One.
O planejamento oficial indicava que Trump partiria em um desses jatos. A aeronave chegou a ser posicionada para a saída e o deslocamento do presidente foi acompanhado por câmeras e jornalistas no aeroporto de Ancara. O plano, porém, era diferente.
Terceiro avião foi usado na operação
De acordo com a autoridade americana que relatou a operação, Trump foi conduzido discretamente para uma terceira aeronave, sem que a mudança fosse percebida imediatamente pela imprensa que acompanhava o presidente.
A retirada teria começado com o uso de um veículo de serviço que estava próximo à parte inferior da aeronave que servia como chamariz. Depois, Trump foi levado até o avião que efetivamente faria seu transporte.
O jato utilizado na operação secreta foi identificado pelo Washington Post como um C-32A, versão militar baseada no Boeing 757.
Enquanto isso, a aeronave que os jornalistas acreditavam que transportaria Trump seguiu seu trajeto em direção ao Reino Unido.
Avião do Catar ficou fora do deslocamento
O episódio ocorreu em meio às preocupações de segurança envolvendo o avião cedido pelo Catar aos Estados Unidos.
A aeronave havia sido apresentada como uma alternativa de transporte presidencial e posteriormente passou a ser alvo de questionamentos relacionados à segurança. Trump chegou a anunciar que não faria a viagem de volta utilizando o jato.
Apesar disso, segundo as informações divulgadas sobre a operação, a preocupação das autoridades não estava restrita ao avião do Catar.
A avaliação era de que Trump poderia ser alvo independentemente da aeronave utilizada, razão pela qual o governo adotou medidas para esconder seu verdadeiro trajeto.
Casa Branca confirma uso de estratégia de distração
Steven Cheung, diretor de comunicações da Casa Branca, já havia indicado que uma estratégia de despiste foi utilizada durante a saída de Trump da Turquia.
Segundo ele, o presidente é considerado alvo de diferentes ameaças e o governo dispõe de mecanismos para dificultar que potenciais adversários descubram seus movimentos.
A declaração ocorreu depois de reportagens apontarem problemas de segurança relacionados à aeronave oferecida pelo Catar.
Em outra manifestação, Cheung afirmou que o novo avião presidencial possui sistemas avançados destinados a garantir a segurança do presidente e das pessoas que viajam com ele.
Ameaça iraniana foi considerada crível
A decisão de utilizar uma aeronave diferente daquela apresentada publicamente indica o grau de preocupação das autoridades americanas naquele momento.
Segundo as informações divulgadas, o risco atribuído ao Irã foi considerado suficientemente concreto para justificar uma operação que envolveu ocultar o verdadeiro meio de transporte utilizado pelo presidente.
A estratégia também permitiu que jornalistas e outras pessoas presentes no aeroporto acompanhassem uma movimentação planejada pelas autoridades enquanto Trump era retirado por outro caminho.
A operação revela a dimensão das medidas de segurança adotadas para proteger o presidente americano durante deslocamentos internacionais, especialmente em um cenário de tensão envolvendo o Irã.
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