O número de mortos pelo terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia aumentou para pelo menos 240 nesta terça-feira (11), conforme as equipes de emergência avançam nas buscas por sobreviventes. Considerado o tremor mais forte registrado no país neste século, o terremoto também deixou mais de 600 pessoas feridas e provocou o desabamento de dezenas de construções.
A contagem anterior, divulgada na noite de segunda-feira pelo governo do presidente Abelardo de la Espriella, apontava 169 mortes. A maior parte das vítimas está concentrada na região metropolitana de Pereira, na região produtora de café do país, e em Cali, uma das cidades mais atingidas.
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Segundo os dados mais recentes, 97,6% das mortes foram registradas em apenas quatro capitais. Além das vítimas, pelo menos 165 prédios desabaram, 18 unidades de saúde foram danificadas e 52 instituições de ensino sofreram algum tipo de impacto.
Resgates continuam entre os escombros
Em Pereira, o fornecimento de energia elétrica foi interrompido. Dezenas de voluntários e equipes de emergência trabalham com lanternas, picaretas e outras ferramentas na tentativa de localizar pessoas soterradas.
A região também registrou pelo menos 47 tremores secundários, segundo a autoridade geológica colombiana. Os abalos e os danos à infraestrutura dificultam as operações de resgate, além de terem provocado problemas no Aeroporto Matecaña e nas redes de comunicação.
Na manhã desta terça-feira, um novo tremor de magnitude 3,8 foi registrado pelo Serviço Geológico Colombiano (SGC). O epicentro voltou a ser identificado no município de San José del Palmar, na região de Chocó. O abalo foi sentido em diferentes áreas da costa do Pacífico, inclusive em capitais que já haviam sido afetadas pelo terremoto de segunda-feira. Até o momento, não havia relatos de novas mortes ou de grandes danos provocados pelo segundo tremor.
“É muito angustiante, não tenho palavras para tudo o que está acontecendo neste momento”, afirmou à agência AFP Juana Marín, de 25 anos, em uma praça de Pereira.
“Eu me sinto derrotada. É triste demais ver a cidade inteira assim, sabendo que ainda há gente com vida”, acrescentou.
Diante da dimensão da tragédia, o governo colombiano declarou estado de emergência e anunciou uma operação coordenada para intensificar os trabalhos de resgate e assistência às vítimas.
Cali concentra dezenas de mortes
Cali, terceira maior cidade da Colômbia, está entre as áreas mais atingidas. Segundo os dados divulgados até o momento, 95 pessoas morreram no município e outras 188 são consideradas desaparecidas.
Em meio aos prédios destruídos, socorristas e voluntários trabalham na retirada dos escombros em busca de sinais de vida. Em alguns pontos, os próprios moradores formaram correntes humanas para transportar os destroços.
“Chegar aqui foi impressionante, parecia o fim do mundo, os carros e as motos na contramão, buscando entes queridos”, relatou à AFP o socorrista Nelson Moreno.
Ele participou das buscas por uma amiga que ficou presa sob os escombros de dois prédios de cinco andares que desabaram. O pai e o bebê da mulher ficaram feridos, mas conseguiram sobreviver.
Durante as operações, os socorristas pedem silêncio periodicamente para tentar ouvir possíveis chamados de pessoas soterradas.
“Estamos fazendo todos os trabalhos necessários para tirar as pessoas com vida. Veio muita gente, com equipamentos, com comida, ajudando os bombeiros, ajudando as pessoas”, afirmou o voluntário Andrés Felipe Mejía.
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Hospitais também foram afetados
Os danos atingiram parte da estrutura de saúde das cidades mais afetadas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que diversas unidades hospitalares sofreram impactos em Cali.
Entre os casos citados está o Hospital Universitário del Valle, onde áreas de cardiologia e pediatria foram atingidas. A Clínica Nuestra também precisou ser evacuada, e alguns pacientes foram atendidos nas calçadas.
Seis aeroportos tiveram problemas estruturais e ficaram temporariamente sem condições de receber voos comerciais.
Na região de Chocó, onde foi registrado o epicentro do terremoto, as operações de resgate enfrentam dificuldades adicionais devido aos danos nas rodovias e ao difícil acesso.
O município de San José del Palmar contabiliza, até o momento, 13 mortes. A governadora de Chocó, Nubia Carolina Córdoba, afirmou que pelo menos 14 pessoas morreram no departamento, a maioria em Quibdó.
Já em Manizales, capital de Caldas, foram registradas ao menos cinco mortes. A cidade também foi cenário de uma grande tragédia sísmica em 1999, quando mais de 1,1 mil pessoas morreram.
Países oferecem ajuda à Colômbia
A dimensão do desastre provocou uma mobilização internacional. Os Estados Unidos, aliados do governo de Abelardo de la Espriella, anunciaram US$ 15,5 milhões, cerca de R$ 80 milhões, em assistência para as operações de emergência.
A União Europeia também colocou à disposição da Colômbia o serviço de satélite Copernicus, que pode auxiliar as equipes na identificação de áreas atingidas e no planejamento das operações de resgate.
Israel, México, Chile, Argentina e El Salvador também ofereceram apoio. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou que está à disposição para prestar assistência às autoridades colombianas.
O papa Leão XIV também se manifestou sobre a tragédia e afirmou estar “profundamente consternado” com as notícias do terremoto que atingiu diferentes regiões da Colômbia.
Tremor também foi sentido em Bogotá e países vizinhos
Na capital Bogotá, diversos prédios foram evacuados e centenas de pessoas deixaram suas casas e foram para as ruas após o terremoto. Apesar do susto, o prefeito Carlos Galán afirmou que os danos na cidade eram, até o momento, limitados a rachaduras superficiais em algumas construções.
O terremoto também foi sentido fora da Colômbia. Há relatos de tremores em algumas regiões da Venezuela, em Quito, capital do Equador, e em diferentes províncias do Panamá.
A tragédia também afetou o calendário esportivo colombiano. Partidas previstas para esta semana foram adiadas, incluindo confrontos das Copas Libertadores e Sul-Americana que seriam disputados no país.
A cantora Shakira, natural de Barranquilla, publicou uma mensagem nas redes sociais em solidariedade às vítimas. “Meu coração está com as famílias que estão passando momentos de angústia”, escreveu.
Por que a Colômbia registra terremotos?
A Colômbia está localizada em uma área de intensa atividade tectônica, próxima ao encontro das placas Sul-Americana, de Nazca e do Caribe. O movimento dessas placas provoca o acúmulo e a liberação de energia no interior da Terra, o que pode resultar em terremotos de diferentes magnitudes.
Com equipes ainda trabalhando entre os escombros e novos tremores secundários sendo registrados, as autoridades colombianas mantêm as operações de busca e resgate enquanto contabilizam os impactos humanos e estruturais provocados pelo terremoto.
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