Nesta semana, um gesto de devoção religiosa terminou em revolta em Catânia, no sul da Itália. Durante uma procissão que marcou os 900 anos do retorno das relíquias de Santa Ágata à cidade, o prefeito Enrico Trantino aproveitou a situação para e beijou a boca do crânio da santa, recebendo um série de críticas de fiéis nas redes sociais.
O episódio ocorreu no início da semana, quando o crânio foi retirado do relicário onde permanecia havia 60 anos e apresentado aos fiéis. Católico, Trantino publicou uma fotografia da cena no Facebook, acompanhada de uma explicação sobre o significado do gesto.
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"Antes que o crânio de Ágata fosse colocado no relicário, de onde não havia sido retirado por 60 anos, nosso arcebispo o mostrou para que eu o beijasse. Aí você entende que não é apenas um homem, mas cada um dos cidadãos que representa, e se sente esmagado pelo peso do cargo, pelo medo de estar usurpando o desejo de todos, de ter o contato mais próximo possível com Ágata", escreveu o prefeito.
Contudo, a publicação provocou reações negativas. "Não é assim, prefeito. Nem mesmo o Papa teria ousado fazer isso. Ninguém no mundo é digno de beijar o corpo de uma santa", escreveu um internauta.
"Santa Ágata morreu para não se deixar tocar por um homem e você a beija na boca?", questinou outro. Já outra internauta classificou o episódio como "um ultraje", ao lembrar o voto de castidade e o martírio da santa.
Após as críticas, Trantino recebeu apoio de alguns aliados políticos. O presidente do Senado, Ignazio La Russa, chamou o gesto de ato de "sincera devoção" e criticou os ataques nas redes sociais.
Outros secretários municipais também defenderam o prefeito e classificaram as críticas como "vergonhosas", afirmando que o beijo na relíquia representa uma manifestação de devoção e respeito enraizada na identidade da comunidade.
Além do prefeito italiano, o próprio arcebispo Luigi Renna também beijou o crânio durante outra etapa da celebração. Usando luvas, ele segurou a relíquia diante dos fiéis, colocou-a dentro do busto de Santa Ágata e se aproximou para beijá-la. Contudo, o gesto do presbítero não recebeu tantas criticas quanto o de Trantino, visto que ele é um líder religioso cristão de alta posição.
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Após os gestos, o relicário foi fechado e coroado pelo cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, que presidiu a missa. Em carta a Parolin, o papa Leão XIV destacou, sobre o martírio da santa. "A vitória da graça sobre a violência, da fé sobre o medo e da caridade sobre a morte", escreveu.
Quem foi Santa Ágata?
Segundo a tradição católica, Ágata nasceu em 235, em uma família nobre da Sicília, e ainda adolescente decidiu dedicar a vida ao cristianismo. De acordo com a história que é conyada, durante a perseguição aos cristãos no Império Romano, ela recusou-se a abandonar a fé e foi torturada por ordem do procônsul Quinciano.
Nesse tempo, ela teria sofrido mutilação dos seios e, após ser presa novamente, recebeu a visita de São Pedro, que, segundo a tradição, curou os ferimentos. Contudo, Ágata morreu no dia 05 de fevereiro de 251, após Quinciano ordenar que fosse queimada.
Além da hitória de fé e devoção, a igreja católica também atribui à santa um milagre relacionado ao Etna. Segundo a tradição, um ano após a morte dela, moradores teriam levado o véu que era usado por Ágata até uma área ameaçada pela lava de uma erupção, que teria interrompido o avanço.
Desde então, Ágata tornou-se padroeira de Catânia e as relíquias dela, incluindo o crânio que foi beijado pelo prefeito e pelo bispo, são mantidas na catedral dedicada a ela. Por causa das mutilações sofridas no martírio, ela também é conhecida como protetora de mulheres com doenças nos seios.
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