O ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, afirmou nesta quarta-feira (1) que, diante da ampliação do número de sigilos fiscais supostamente vazados pela Receita Federal, o caso pode não se tratar de crime eleitoral. A tese de que os vazamentos das informações sigilosas foram orquestrados pela campanha da petista Dilma Rousseff é defendida pela oposição, que já recorreu à Procuradoria-geral da República e tentou nesta manhã, em vão, convocar o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para prestar explicações no Senado.
Reportagem do jornal O Estado do São Paulo aponta que documentos da investigação da Corregedoria da Receita Federal revelam uma violação do sigilo fiscal de Verônica Serra no dia 30 de setembro de 2009. O acesso teria sido feito pela funcionária Lúcia de Fátima Gonçalves Milan, que trabalha na agência da Receita em Santo André (SP).
"Há uma sindicância na Receita Federal e uma apuração na Polícia Federal. Tenho convicção de que (o caso será resolvido). Os fatos novos podem ter a indicação de que o episódio tem outra conotação (que não eleitoral). O maior número de pessoas pode indicar outro tipo de interesse", disse Barreto, sem listar as possibilidades de investigação da Polícia Federal.
A tese de Barreto de que o episódio envolvendo Verônica Serra pode não ter cunho eleitoral se aproxima da linha defendida pelo chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho. Em entrevista ao Terra, Carvalho afirmou que a suposta violação do sigilo fiscal de Verônica Serra pode até ser fruto de uma disputa interna entre caciques do PSDB. Ele observou que a campanha da petista Dilma Rousseff não tem qualquer relação com o suposto acesso imotivado das informações tributárias de Verônica e pediu "prudência" na condução da nova denúncia.
"Acho que tem que ter muita prudência nessa história porque ocorreu em setembro do ano passado. As hipóteses são muito amplas. Pode ser um comércio para chantagem e é bom lembrar que naquela época (setembro do ano passado) havia uma guerra tucana entre os tucanos de Minas e os tucanos de São Paulo", disse o chefe de gabinete de Lula ao Terra.
"(O episódio) É uma bala de prata que pode ser uma bala perdida da guerra entre eles. Reflete desespero e uma necessidade absoluta de criar um fato político para alterar um quadro eleitoral que está se desenhando", completou o dirigente do PT, que condenou a exploração eleitoral do episódio.
(Terra)
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