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Refugiados palestinos não creem em paz e retorno

As novas negociações diretas de paz iniciadas nesta quinta-feira entre israelenses e palestinos não deverão trazer algo de concreto na visão de refugiados palestinos no Líbano ouvidos pela BBC Brasil. Para eles, moradores do campo de refugiados de Borj

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As novas negociações diretas de paz iniciadas nesta quinta-feira entre israelenses e palestinos não deverão trazer algo de concreto na visão de refugiados palestinos no Líbano ouvidos pela BBC Brasil.

Para eles, moradores do campo de refugiados de Borj Al-Barajneh, ao sul de Beirute, a mais nova tentativa dos Estados Unidos de mediar um acordo de paz e a criação de um Estado palestino é apenas mais um "jogo político", sem resultados práticos.

De acordo com Kassem Aina, diretor do Instituto Nacional de Programas Sociais e treinamento Vocacional, que realiza programas sociais com refugiados palestinos no Líbano, disse que o sentimento geral entre os refugiados é de pessimismo.

"É claro que fica uma esperança a cada nova negociação entre os líderes, mas refugiados palestinos já viram essas cenas antes diversas vezes. Estão cansados de conversas sem resultados", explicou ele.

Fatima Farah, nascida em Borj Al-Barajneh, disse à BBC Brasil que não espera nada de qualquer negociação.

"Ninguém se importa com a gente. Nem israelenses, nem americanos, nem outros árabes e até mesmo os palestinos que estão na Cisjordânia", desabafou ela.

Ela contou que já teve irmãos e parentes mortos durante a guerra civil libanesa (1975-1990) e já viu todo o tipo de sofrimento quando ainda era jovem.

"E a cada nova negociação, os líderes nos dizem que desta vez teremos nossos direitos reconhecidos, que poderemos receber compensação ou que retornaremos às nossas terras", completou Farah.

"Mas no fim continuamos na mesma situação, vários palestinos nasceram e morreram dentro dos campos, foram refugiados a vida inteira."

Há cerca de 4,5 milhões de refugiados palestinos no mundo, de acordo com a Agência de Refugiados das Nações Unidas (ONU). No Líbano, são 400 mil pessoas divididas em 12 campos espalhados pelo país.

Sem liderança

Ayman Al-Daher, de 29 anos, é outro pessimista, mas acredita que há a necessidade das partes conversarem para "manter o pouco que os palestinos têm".

"Provavelmente nada disso levará a nada, somente mais um jogo político. Mas sem manobras políticas, os palestinos perderiam ainda mais", falou ele.

Al-Daher acha que os palestinos não irão a lugar algum com a atual liderança palestina.

"O presidente Abu Mazen (Mahmoud Abbas) é muito fraco e cercado de corruptos. O Hamas é radical demais e sem um projeto inteligente para negociar sem abrir mão das necessidades dos palestinos."

"Deveriam trazer novos mediadores, novas pessoas com ideias mais flexíveis e avançadas", opinou ele.

Desapontados

Há um sentimento geral entre analistas de que o presidente palestino dificilmente conseguirá com que Israel concorde em qualquer um dos pontos.

Para Al-Daher, os sucessivos governos israelenses nunca foram parceiros para conversas de paz, e o atual é ainda "mais radical".

"De um lado temos nossos líderes fracos e do outro radicais que sempre negaram os nossos direitos. Somos tratados como animais ou como fantasmas."

Fatima concordou e disse que seria melhor eles fazerem acordos secretos para não deixar os palestinos desapontados a cada novos fracassos.

"Tudo isso acontece sem que algum líder viesse para cá e nos perguntasse o que achamos de tudo isso. Temos pessoas que estão longe de nós e negociam em nosso nome sem saber o que passamos."

Para Aina, é natural que os palestinos refugiados se sintam menosprezados e sem esperança.

"Mas a cada novas conversas, nós temos um pouco ainda de esperança. Estamos cansados de tudo isso, mas sem esperança as coisas seriam piores." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

(Estadão)

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