O jornal La Nación publicou ontem uma denúncia de que Lidia Papaleo de Graiver, viúva de David Graiver, dono da empresa Papel Prensa, morto nos anos 70, teria negociado com a presidente Cristina Kirchner e o marido dela, Néstor, um pagamento para contar outra versão sobre a venda da companhia, em 1976, a única produtora de papel de jornal da Argentina.
A nova versão de Lidia diz que Clarín e La Nación foram cúmplices dos militares, que a torturaram para a obrigar a vender as ações da Papel Prensa a baixos preços. Ambos os jornais afirmam que a venda foi realizada em condições normais e, meses após o negócio, Lidia foi detida pelos militares e torturada, em uma operação sem vínculos com a Papel Prensa.
Agora, Julio Saguier, dono do La Nación, diz ter se reunido em maio com Lidia. Na ocasião, o governo já havia declarado guerra aos dois jornais por causa da Papel Prensa. Na conversa, Lidia teria confessado que os Kirchners lhe ofereceram US$ 200 mil para confirmar a versão oficial. Caso fosse convincente, ela ganharia mais US$ 2 milhões.
Lidia admitiu que precisava do dinheiro. Para evitar a filtragem de informações sobre esses encontros secretos, realizados na residência presidencial de Olivos, o deputado Carlos Kunkel, amigo dos Kirchners, teria levado Lidia pessoalmente às reuniões. Segundo Saguier, as denúncias serão agora apresentadas formalmente aos tribunais de La Plata. (AE)
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