Treze dos 33 mineiros se reuniram neste domingo (17) no acampamento Esperança, nos arredores da mina San José, no Chile, onde estiveram presos, para saber como viveram suas famílias nos 69 dias em que demorou o seu resgate e para participar de uma missa, em meio ao assédio da imprensa.
No acampamento, que pouco a pouco vai sendo desmontado, foi celebrada esta cerimônia ecumênica, já que nem todos os resgatados são católicos. Três dos mineiros tomaram a palavra: o boliviano Carlos Mamani, além de Omar Raygadas e o chefe de turno Luis Urzúa, que agradeceram a Deus pelo desfecho de seu resgate. "Ouça, cavalheiro, eu orei muito pelo senhor", disse Urzúa ao lembrar das palavras que ouviu de uma menina nos últimos dias, o que o emocionou muito.
Os mineiros contaram que liam a Bíblia todos os dias e rezavam, assegurando que muitas vezes sentiram que pegavam na mão de Deus. Alguns resgatados, como Ariel Ticona, pediram desculpas por não participar do ato e alegaram que na noite anterior foram recebidos com festa que se prolongaram até altas horas da madrugada em suas casas e bairros.
TUMULTO
A chegada dos mineiros ao acampamento lembrou a de astros de cinema. Uma multidão de jornalistas os cercou e alguns tiveram que apelar a carros da polícia para entrar em um recinto reservado, onde normalmente as famílias recebiam detalhes sobre o resgate de parte das autoridades. A partir dali, não foi permitido o acesso para a imprensa. "
A missa foi bem, foi bom o reencontro", contou o mineiro Claudio Acuña. Ao fim da celebração, a maioria dos 13 que acompanhou a cerimônia preferiu permanecer junto à família e conhecer o acampamento que chegou a abrigar mais de três mil pessoas, entre familiares, trabalhadores e jornalistas. "Estamos juntando as coisas para colocá-las na caminhonete", disse Omar Raygadas, pedindo espaço para ficar com a família.
Assim como Raygadas, como um símbolo do fim da história, os mineiros acompanharam as famílias no desmonte das barracas de campanha, antes de voltar para casa. O mineiro Mario Gomez percorreu o acampamento, acompanhado da família. "Estou muito cansada, agora levamos todas as coisas. Esperamos que agora comece a nossa vida.... Não dá mais para mim", disse Liliana, esposa de Mario, à AFP.
"Esta foi uma cidade", comentou o mineiro Claudio Yañez, ao fim da cerimônia celebrada pelo vice-presidente da Conferência Episcopal Chilena, Gonzalo Duarte, e da qual participou um pastor evangélico. "Todos sofreram aqui de fora o que estávamos sofrendo lá dentro", comentou, por sua vez, Darío Segovia. Em um dos morros dos arredores da mina ainda tremulavam as 33 bandeiras - 32 chilenas e uma boliviana - que representavam os mineiros durante o resgate e começavam a ser retiradas.
DEMISSÕES
Um grupo de trabalhadores da mineradora San Esteban, proprietária da jazida San José, também esteve na mina, reivindicando falta de atenção para os mais de 300 funcionários que ficaram sem trabalho após o acidente. "Em San Esteban não somos 33, somos 300", dizia um cartaz.
Durante os trabalhos de resgate, os donos da mina San José, cuja empresa está imersa em um processo judicial que pode terminar em quebra, não apareceram na jazida. No entanto, em declarações ao jornal El Mercurio publicadas este domingo, o dono da mineradora, Alejandro Bohn, disse ter ligado para o ministro da Mineração, Laurence Golborne, para cumprimentá-lo pelo resgate.
Alguns mineiros, como Yonni Barrios e Juan Illanes, já falam na possibilidade de criar uma fundação que permita transmitir suas experiências e evitar acidentes no setor. Enquanto isso, o acampamento Esperança abre caminho novamente ao deserto. "Esta foi uma cidade em miniatura, com colégio, refeitórios, delegacia, bombeiros, prefeita [Maria, a irmã do mineiro Darío Segovia]", disse o paramédico Wilfredo Morales. (eBand)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar