Dois anos de governo bastaram para que o efeito Obamania se dissipasse no rastro dos votos da eleição presidencial de 2008. No dia em que Barack Obama foi alçado à Casa Branca por meio de uma esmagadora vitória democrata, já devia estar no pensamento de potenciais candidatos do partido ao pleito legislativo deste ano disputar a presença de palanque do presidente como importante trunfo eleitoral. Mas, chegado o momento de campanha, posar ao lado do chefe da nação já não é garantia de mais votos. Pelo contrário, sua participação pode mesmo perturbar as pretensões democratas em algumas disputas locais e estaduais. Em Virgínia Ocidental, o governador democrata Joe Manchin, que neste ano concorre a uma vaga no Senado contra o adversário republicano John Raese, é um dos candidatos que têm evitado a associação com Obama e preferem fazer campanha solo.
Contra as expectativas, as últimas sondagens mostram o candidato republicano na liderança em Virgínia Ocidental, com 50% a 43%. Dois outros dados da pesquisa ilustram a encruzilhada de certos candidatos democratas: 69% dos entrevistados aprovam o trabalho de Joe Manchin como governador, mas apenas 30% são favoráveis ao governo Obama. Além disso, 69% desaprovam o trabalho do presidente, índice bem acima da média nacional.
A QUEDA
A analista política Karlyn Bowman aponta a queda constante de popularidade do presidente Obama desde a sua eleição, e a crescente insatisfação na população com os rumos da economia do país, como as principais razões que levam candidatos democratas a recusarem a sua ajuda. Na última pesquisa do Instituto Gallup, o governo Obama registrou o menor índice de aprovação: 44,7%. Pela primeira vez, a porcentagem dos norte-americanos entrevistados que se dizem contra o presidente superou o índice dos que são favoráveis: 50% a 47%.
Segundo Bowman, nas disputas em que os candidatos democratas estão com a eleição praticamente garantida, a presença de Obama é bem-vinda; já naquelas em que há uma ameaça de transferência de poder, “há muitos democratas declinando a oferta de apoio presidencial”.
“Isso é certamente uma verdade no Meio-Oeste industrial americano, onde os democratas eram muito fortes em 2008. Em estados como Pensilvânia, Wisconsin, Ohio ou Illinois, a popularidade do presidente caiu bastante junto aos trabalhadores. Obama provavelmente fará menos campanha nesses estados. Ou então tentará ajudar alguns casos específicos, de democratas surpreendentemente em dificuldades, caso de Russ Feingold, candidato ao Senado em Wisconsin”, avaliou.
ATÉ CLINTON
Com o presidente em baixa, candidatos democratas têm feito apelo a outros nomes de peso que não sofreram desgaste de imagem pela usura do poder e a erosão econômica. No topo da lista está a primeira-dama Michelle Obama, seguida do ex-presidente Bill Clinton e do vice-presidente Joe Biden. Segundo uma pesquisa do Gallup, 53% dos eleitores democratas dizem que o apoio de Clinton a um candidato influenciaria positivamente seus votos, contra 48% se o padrinho for Obama. No caso de eleitores independentes, a relação é de 21%-12%, respectivamente.
Como consolo para Barack Obama, restam os índices de aprovação dos presidentes Bill Clinton e Ronald Reagan nas eleições legislativas de meio mandato, abaixo de sua popularidade atual. Em 1982, Reagan tinha aprovação de 41,7%; e Clinton, em 1994, de 41,4%. Como se sabe, os dois se reelegeram para um segundo mandato na Casa Branca dois anos depois. Para repetir a façanha e recuperar a estima junto ao eleitor, no entanto, Obama terá muitos obstáculos pela frente. Principalmente, se no dia 2 os republicanos retomarem a maioria na Câmara e no Senado. (Agência O Globo)
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