O Governo brasileiro "vigia de perto" há três anos um grupo de 20 pessoas que residem no país e estariam vinculados ao grupo libanês Hisbolá e às milícias da organização Jihad Islâmica.
Segundo a edição dominical do jornal "A Folha de São Paulo", o assunto é investigado pela Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), organismo ligado à Presidência da República, que foram alertados pelos serviços secretos dos Estados Unidos.
O jornal sustenta que as pessoas "vigiadas" são todas brasileiras, que "se converteram ao Islã" e que "a CIA (agência de inteligência americana) acredita" que "foram recrutadas para aprender como montar células políticas e armadas".
Com base nas informações, os membros do grupo residem no Rio de Janeiro e em São Paulo, no Paraná e em regiões do nordeste do país. Nos últimos três anos, alguns deles viajaram ao menos duas vezes a Teerã, acrescenta a publicação, citando fontes da Abin.
A publicação ainda indica que uma das suspeitas do serviço de inteligência aponta para Moshen Rabbani, ex-adido cultural da embaixada do Irã em Buenos Aires, sobre quem pesa mandado de prisão internacional pelo ataque terrorista à Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), que em 1994 causou 85 mortos.
Rabbani estaria "refugiado" em Teerã e seria o "intermediário" entre os brasileiros e os grupos islâmicos.
Nesta semana, o site WikiLeaks publicou documentos diplomáticos com críticas dos embaixadores americanos no Brasil, alegando que a Polícia Federal brasileira "frequentemente detém pessoas vinculadas ao terrorismo, mas as acusa de delitos diversos para desviar a atenção".
Além disso, a publicação lembrou que os Estados Unidos manifestaram em diversas oportunidades o temor pela possível presença de terroristas islâmicos na zona da "tríplice fronteira", entre Brasil, Argentina e Paraguai, onde há uma importante colônia árabe.
No entanto, apesar do assunto ser investigado, principalmente depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York e outras cidades dos Estados Unidos, nunca foi possível comprovar que essa região seja uma espécie de "refúgio" de terroristas. (AE)
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