Colocar o Protocolo de Kyoto na UTI. Essa foi a saída encontrada ontem (10) para tentar agradar a todos os quase 200 países presentes da Conferência do Clima da ONU em Cancún (COP-16), que deve terminar sem avanços.
Um dos grandes impasses da reunião - que começou no dia 29 de novembro e deveria terminar ontem, 10 (mas provavelmente ultrapassaria a madrugada) - era a definição se o Protocolo de Kyoto seria continuado e haveria um segundo período de compromisso dentro do tratado, já que o primeiro termina em 2012.
Países em desenvolvimento, como o Brasil, querem a sua manutenção. Mas nações como Japão, Rússia e Austrália, por exemplo, são contra. O Japão argumenta que é injusta a sua posição - pois Estados Unidos e China, os maiores emissores de gases-estufa na atualidade - não fazem parte de Kyoto. E que o protocolo só trata de 27% das emissões de gases-estufa. Eles defendem, portanto, um tratado que inclua todos os países.
A estratégia usada para tentar agradar a todos foi a de não matar Kyoto, mas também não definir um segundo período de compromisso do protocolo. Na prática, isso ainda pode ser feito no futuro se os países entrarem em acordo. Ou se pode optar por criar um novo tratado.
O acordo costurado a respeito de Kyoto, porém, não significava que haveria resultado positivo em Cancún. Com vários adiamentos de plenárias, divergências inconciliáveis entre os países e atrasos na elaboração de documentos, a COP-16 ainda estava completamente indefinida na noite de ontem (16 horas no horário do México). A preocupação e o desânimo dominavam os corredores do hotel Moon Palace, sede da reunião. (Agência Estado)
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