O recém indicado embaixador da Costa do Marfim na Organização das Nações Unidas (ONU), Youssoufou Bamba, disse que seu país está "à beira de um genocídio", segundo informa o site da rede britânica BBC. Bamba afirmou que violações aos direitos humanos acontecem em larga escala no país como resultado da agitação política.
A comunidade internacional e a maioria dos líderes africanos reconhecem Alassane Ouattara como o vencedor do segundo turno da eleição presidencial, realizado em 28 de novembro. Mas Laurent Gbagbo recusa-se a deixar o cargo e afirma que saiu vitorioso da disputa. O atual presidente está no poder há dez anos e tem o apoio da maior parte do Exército, apesar da pressão internacional. Ele e seus familiares são alvo de sanções econômicas e de locomoção.
Bamba, que foi indicado por Ouattara, foi formalmente recebido na sede da ONU em Nova York ontem. Em coletiva de imprensa, o embaixador disse que Ouattara foi eleito durante uma "eleição livre, justa, transparente e democrática". "Para mim, o debate está acabado. Agora estamos falando sobre como e quando o senhor Gbagbo vai deixar o cargo", disse ele. "Achamos que isso é injustificável. Assim, uma das mensagens que tento passar durante as conversações que realizei até agora é que estamos à beira de um genocídio."
A ONU acusou hoje as forças de segurança ligadas a Gbagbo de impedir o acesso a valas comuns. Investigadores da organização acreditam que cerca de 80 corpos estão no interior de um prédio cujo acesso aos funcionários foi impedido. O governo de Gbagbo negou repetidas vezes a existência de tais valas e o ministro do Interior foi à televisão para desmentir as acusações.
Simon Munzu, chefe da divisão de direitos humanos da ONU, pediu às forças de segurança que permitam a realização das investigações. "Nós seríamos os primeiros a dizer que essas teorias são falsas se elas se provarem falsas", disse Munzu. "Nossas descobertas sobre a questão e seu anúncio para todo o mundo teriam uma chance maior de receber crédito do que suas repetidas negativas."
Grupos de direitos humanos acusam as forças de segurança de Gbagbo de sequestrar e torturar opositores políticos desde o segundo turno da eleição. Investigadores da ONU citam dezenas de relatos de casos de desaparecimento e quase 500 prisões. (Agência Estado)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar