Os dois jornalistas brasileiros que foram presos no Egito, por fazer a cobertura dos protestos contra o presidente Hosni Mubarak, chegaram ao Brasil na manhã deste sábado. Eles desembarcaram por volta de 11h no aeroporto internacional de Cumbica, em Guarulhos, Grande São Paulo.
Corban Costa e Gilvan Rocha trabalham, respectivamente, para a Rádio Nacional e TV Brasil, veículos da estatal EBC (Empresa Brasileira de Comunicação). Eles foram detidos por militares ainda no aeroporto do Cairo.
"Depois que pegaram nossos equipamentos e viram que a gente era jornalista, mandaram encostar no muro. A gente achava que ia morrer com certeza", disse Rocha. Os dois jornalistas seguem para Brasília, sede da EBC, ainda neste sábado.
Perseguição
O governo egípcio tem promovido uma intensa perseguição aos jornalistas do mundo inteiro que fazem a cobertura dos protestos contra o regime do presidente Hosni Mubarak. Quatro franceses foram detidos nesta sexta-feira, no Cairo. Alguns já foram libertados.
Os embaixadores da UE (União Europeia) protestaram contra as agressões aos jornalistas no Egito. Há denúncias de agressões, roubos e até humilhações.
Os principais alvos do governo egípcio são os profissionais da rede de TV Al Jazeera. O diretor do escritório no Cairo da televisão e um repórter foram detidos neste sábado. Ontem as dependências da emissora na capital do Egito foram alvos de saques.
A emissora vem sendo sistemativamente perseguida pelo governo desde que começou a divulgar imagens das manifestações na praça Tahrir, no Cairo. Jornalistas de vários países, inclusive do Brasil, foram detidos. Um repórter egípcio morreu nesta sexta-feira pelos ferimentos de tiros disparados durante confrontos entre partidários e opositores do presidente Hosni Mubarak, informou um jornal estatal.
Atentado e tumultos
O vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, foi vítima de uma tentativa de assassinato, segundo a emissora de TV norte-americana Fox News. Dois de seus seguranças morreram na ação. Segundo a emissora, o atentado ocorreu no último dia 29, logo após Suleiman assumir a vice-presidência do Egito.
Na noite desta sexta-feira, um intenso tiroteio foi ouvido na praça Tahrir, no centro do Cairo, espalhando por alguns minutos o pânico na multidão de manifestantes antigovernamentais que se encontram reunidos no local. Centenas de milhares de egípcios saíram às ruas para participar do dia batizado de "Sexta-feira da Partida". Os protestos são para pedir a renúncia do presidente Hosni Mubarak.
(eBand)
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