Em duas celas apertadas de um tribunal de Benghazi, cerca de 20 supostos mercenários que teriam lutado pelo regime de Muamar Kadafi acotovelam-se. Com semblante de pavor, aguardam o julgamento que será conduzido por um comitê de opositores.
"Se as pessoas soubessem que eles estavam aqui, teriam derrubado as portas de aço para matá-los", diz Atif el-Hasiya, porta-voz do grupo que conduzirá o julgamento. Os presos, todos vindos da África Subsaariana, não eram mercenários. Pelo menos foi o que concluiu Peter Bouckaert, da ONG Human Rights Watch, que se encontrou com os encarcerados. "São trabalhadores africanos normais que acabaram pegos no meio desse caos", explicou.
A confusão expõe as dificuldades que cercam a nova Justiça, imposta pela oposição. A população local criou um ódio especial contra mercenários africanos que Kadafi usou, soldados brutais que simbolizavam a capacidade do regime de comprar apoio para se manter no poder.
"O uso de combatentes estrangeiros foi a última tentativa de Kadafi para se manter no poder", afirma o funcionário da ONG. Mas existem na Líbia milhares de empregados "normais" vindos do centro da África, completa. As informações são da Associated Press. (Agência Estado)
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