A fronteira da Líbia com a Tunísia está controlada pelas forças leais ao regime de Muammar Kadhafi, informou nesta sexta-feira (4) o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).
Também de acordo com o Acnur, 12.500 pessoas estão bloqueadas na fronteira com a Tunísia depois de uma fuga e aguardam uma operação de retirada. O país enfrenta mais de duas semanas de protestos antigoverno, com bombardeios e mortes em diversas cidades do país. O ditador Kadhafi, há 42 anos no poder, recusa-se a renunciar.
A rede de notícias 'Al Arabiya' informou nesta sexta que forças de Kadhafi realizaram novos bombardeios no terminal petrolífero da cidade Brega, mas três fontes na cidade disseram não saber dos novos ataques. Duas fontes de rebeldes e um civil afirmaram à agência de notícias Reuters não ter ouvido bombardeio.
Para 'assustar'
Os bombardeios contra o porto de Brega tinham a intenção de “assustar” os rebeldes que lutam contra o líder líbio Muamar Kadhafi, afirmou o filho mais conhecido do ditador, Saif al-Islam, em entrevista ao canal britânico Sky News. “As bombas eram apenas para assustar, para que fossem embora”, disse.
“Ali não há cidade. A cidade de Brega fica a quilômetros de distância. Estou falando do porto, onde há apenas uma refinaria de petróleo”, completou.
Saif al-Islam deixou claro que o regime fará de tudo para evitar que o porto passe ao controle dos rebeldes. “É o eixo do petróleo e gás líbios. Todos nós comemos, vivemos, graças a Brega. Sem Brega, seis milhões de pessoas ficarão sem futuro, porque desta região exportamos nosso petróleo. Ninguém permitirá que as milícias controlem Brega, que seria como permitir a alguém controlar o porto de Rotterdã”, disse.
Refugiados
A agência da ONU para refugiados informou que menos de 2 mil pessoas conseguiram atravessar a fronteira na quinta-feira, enquanto 12.500 estão bloqueadas depois de uma fuga, aguardando uma operação de retirada.
"Nos dias anteriores, entre 10 e 15 mil escaparam diariamente para a Tunísia, e ontem menos de 2 mil conseguiram cruzar a fronteira", disse Melissa Fleming, porta-voz da Acnur. "Estamos muito preocupados que a situação da segurança na Líbia esteja impedindo as pessoas de atravessar a fronteira", acrescentou. "O lado líbio da fronteira está sob controle neste momento de tropas pró-governo."
Além disso, aqueles que por fim conseguiam chegar ao outro lado contaram à Acnur que "seus telefones celulares foram confiscados, junto com suas câmeras". "Muitos dos que cruzaram a fronteira parecem assustados e não querem falar", explicou Fleming.
Por outro lado, a porta-voz estimou que "graças a uma rápida reação da comunidade internacional, houve um progresso significativo na retirada de egípcios e de cidadãos de outras nacionalidades da Tunísia". Dois voos para Bangladesh estão programados nesta sexta-feira. As informações são do G1. (DOL)
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