O embaixador da Líbia no Brasil, Salem Ezubedi, informou hoje ao presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Paulo Paim (PT-RS), que o jornalista brasileiro Andrei Netto, do jornal “O Estado de S. Paulo”, pode ser libertado a qualquer momento. Paim e Ezubedi conversaram por telefone.
Segundo Paim, o embaixador disse também que o jornalista está detido na cidade de Sabratha, a oeste de Trípoli, a capital líbia. A Comissão de Direitos Humanos do Senado aprovou hoje moção exigindo a libertação imediata de Netto.
"O embaixador me disse que as autoridades líbias estão adotando todos os procedimentos para que o jornalista seja libertado de imediato, se possível ainda hoje", disse Paim. O senador acrescentou que o diplomata líbio argumentou que Netto foi detido "por falta de documentos".
Para o senador, dificilmente o governo líbio apresentará justificativas que sustentem a prisão de Netto no país. "Argumento algum convence a comissão", disse Paim. Outra moção aprovada foi de apoio ao jornal e à família do repórter.
A editora executiva do jornal, Luciana Constantino, confirmou que Netto foi localizado. Segundo ela, o embaixador do Brasil na Líbia, George Ney de Souza Fernandes, disse que ele estava preso em uma penitenciária próxima à capital. Ontem, o comando de “O Estado de S. Paulo” informou ontem que perdeu o contato com o repórter que fazia a cobertura na área de Zawiya, uma das regiões onde os conflitos são mais intensos.
BBC
Outro caso envolvendo jornalistas ocorreu com empregados da rede britânica de notícias BBC. Segundo a empresa, três jornalistas da foram presos e torturados por forças leais ao presidente da Líbia, Muammar Kadhafi, quando tentavam entrar em Zawiya.
Segundo a BBC, os três profissionais foram encapuzados, algemados e agredidos por integrantes do Exército líbio e da polícia secreta. Os profissionais também foram ameaçados de morte e submetidos a torturas que os faziam crer que seriam executados.
No começo do mês passado, os jornalistas Corban Costa, da Rádio Nacional, e Gilvan Alves, da TV Brasil, foram presos, tiveram os olhos vendados e os equipamentos e documentos apreendidos no Egito, enquanto estavam no país para a cobertura da crise causada pela pressão para a saída do então presidente Hosni Mubarak. Os profissionais foram libertados e enviados de volta para o Brasil. (eBand)
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