O mundo inteiro está acompanhando, apreensivo, o caos que as pessoas que vivem no Japão vêm enfrentando nos últimos dias, devido ao terremoto de 8,9 graus que provocou um tsunami que arrasou o país na última sexta-feira (11), e ocasionou também explosões em usinas nucleares.
Tsuchiya Tomioshi , de 44 anos, mora há 20 anos no Japão, trabalha em uma fábrica de autopeças e há 8 anos é colaborador da Rádio Clube do Pará, trazendo ao vivo as últimas informações sobre o país.
Em entrevista ao DOL, Tomioshi contou como está a situação no Japão. Morador da cidade de Ranzan-machi, Província Saitama, no noroeste do Japão, Tomioshi conta que tem mais pessoas de sua família vivendo no Japão, mas que pretendem voltar ao Brasil o mais rápido possível.
“Estamos com tudo pronto para ir embora, mas ainda não sabemos quando conseguiremos deixar o Japão. Na verdade, a vontade de sair do país predomina na maioria dos brasileiros que vivem aqui, todos querem sair dessa situação o quanto antes”, conclui.
Ele conta que a cidade foi bastante abalada pelo terremoto , mas os japoneses agiram com naturalidade diante do tremor. “Na hora do terremoto eu estava trabalhando na fábrica. Não tocou alarmes de terremoto, fomos todos pegos de surpresa e corremos para fora. Fiquei com uma sensação de tontura durante o tremor, mas os japoneses agiram com calma, essa situação para eles é normal”, explica.
O colaborador conta que o clima é muito tenso no país, principalmente por causa da ameaça nuclear. “Todos tentam voltar à rotina, vão e voltam aos seus trabalhos todos os dias e aparentam calma e tranqüilidade. Mas, na verdade, todos estão com os olhos voltados à ameaça nuclear, esse é o maior medo atualmente”, destaca.
Com o racionamento de energia elétrica instalado desde ontem (15), Tomioshi conta que está sendo difícil para os japoneses conviverem com essa situação. “Eles estão sentindo esse racionamento porque nunca tinha acontecido dessa forma. O trânsito, por exemplo, está uma bagunça por causa da falta de sinalização, e tem poucos agentes orientando a situação. Ninguém sabe qual é a preferencial, todos querem avançar ao mesmo tempo e tudo fica o caos”, explica.
(Soraya Wanzeller/DOL)
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