Continua preocupante a situação dos moradores do Japão, atingidos por um terremoto, seguido de um Tsunami. Segundo o Saitoshi Ikikami, paraense que vive no Japão, a situação está, aos poucos, voltando ao normal. “Um exemplo é a gasolina, que até semana passada só se vendia 20 litros por carro e ter que enfrentar a fila por mais de uma ou duas horas, agora já se pode abastecer normalmente. Quanto a alimentação, muitos produtos estão em falta e coisas simples, como a Coca-Cola. E quando tem, só pode ser comprado 6 produtos da mesma marca por pessoa”, relata o brasileiro.
Saitoshi conta que os brasileiros que vivem no Japão estão bem, pois o consulado do Brasil está atendendo todos as vítimas do terremoto 24 horas, com plantões aos sábados e domingos também. “Nós brasileiros que vivemos aqui dependemos do trabalho em fabricas e, devido o terremoto, muitos estão folgando acima do normal e se isso continuar, como vamos pagar os alugueis ou prestações de nossas casas? Muitos já se foram embora ou estão pensando em ir. No prédio onde moro, três famílias foram embora por causa desse problema (desemprego)”.
Mesmo com a ameaça de desemprego e racionamento de alimentos, o que mais preocupa quem está no Japão é o risco de radiação. “Só sabemos o que a mídia diz; o governo diz para todos que vivem num raio de 30 quilômetros (km) da área da usina nuclear, para irem para lugares mais afastados. A recomendação não é baseada em razões de segurança, mas para tentar evitar ‘problemas cotidianos’", explica.
O brasileiro conta que segundo o porta-voz Yukio Edan, apesar de a cada dia a radiação estar aumentando, o chefe de gabinete da Agência Internacional de Energia Atômica, o argentino Rafael Grossi, disse que o material radioativo liberado na atmosfera pela planta em Fukushima é ‘mínimo’e não apresenta perigo para a saúde, “Mas vai saber?!”.
“Em Nagoya foi encontrada alface do tipo roxo contaminado com um índice bem elevado de radiação A verdura estava à venda em um supermercado de Nagoya, mas as autoridades afirmaram que não há risco à saúde humana”, relata o brasileiro.
Saitoshi nasceu e cresceu em Belém no bairro de Nazaré. Seus são imigrantes japoneses que moraram há 30 anos no estado do Pará. Ele vive há 24 anos no Japão e trabalha como motorista particular de um empresário japonês na cidade de Fuji. “Por mim ia embora o mais rápido possível, mais meus pais não querem ir embora pois temem a violência que está a nossa Belém do Pará”, conclui.
(Thais Rezende, DOL)
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