Um mediador das monarquias do Golfo na crise iemenita deixou Sanaa neste sábado (30) à noite sem ter obtido a assinatura por parte do presidente Ali Abdullah Saleh de um plano para o fim da crise que prevê sua renúncia, anunciou à AFP um porta-voz da oposição.
O presidente Saleh disse ao secretário-geral do CCG (Conselho de Cooperação do Golfo), Abdelatif al-Zayani, que se negava a assinar o acordo em "sua qualidade de presidente da República", como estipula o documento, indicou o porta-voz da oposição, Mohamed Qahtani.
"Trata-se de um ponto essencial do plano em que não cederemos", ressaltou Qahtani. Zayani transmitiu essa posição à Frente Comum (oposição) e deixou a capital iemenita, acrescentou.
Acordo
Zayani havia chegado a Sanaa neste sábado para convidar os representantes do governo e da Frente Comum para a cerimônia de assinatura deste acordo, domingo em Riad, na presença dos ministros das Relações Exteriores do CCG (Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Omã e Qatar).
O plano proposto pelas monarquias do Golfo, preocupadas com a instabilidade no Iêmen prevê a renúncia, com uma garantia de imunidade, do presidente Ali Abdullah Saleh, um mês depois da formação de um governo de reconciliação nacional pela oposição.
O plano foi aprovado pela oposição e pelo partido no poder, o CPG (Congresso Popular Geral), mas nunca explicitamente por Saleh, que enfrenta uma crescente onda de contestação desde janeiro.
Oposição
A oposição se nega a viajar para Riad até que o presidente assine o texto. "Estamos prontos para ir a Riad, mas com a condição de que Saleh assine o acordo", afirmou à AFP um integrante da Frente Comum.
O texto do plano prevê que o documento tenha as assinaturas do presidente do país e da oposição.
"Saleh está disposto a assinar o documento na qualidade de presidente do CPG, mas não como presidente da República", explicou à AFP o secretário-geral adjunto do CPG, Soltan al-Barakani.
No sábado, dois militares e quatro civis morreram em Adén, principal cidade do sul, em confrontos entre soldados e homens armados, segundo o Ministério da Defesa e fontes médicas. Adén, um dos focos dos protestos, ficou paralisada neste sábado devido a uma greve geral. (eBand)
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