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Após 4 anos, Egito reabre fronteira com Gaza

Em um sinal de apoio ao grupo radical Hamas, o Egito reabriu neste sábado sua fronteira com a Faixa de Gaza, única saída oficial para a população palestina que vive no território, após mantê-la bloqueada nos últimos quatro anos.A bordo de cinco ônibus, pe

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Em um sinal de apoio ao grupo radical Hamas, o Egito reabriu neste sábado sua fronteira com a Faixa de Gaza, única saída oficial para a população palestina que vive no território, após mantê-la bloqueada nos últimos quatro anos.

A bordo de cinco ônibus, pelo menos 300 palestinos já atravessaram a passagem fronteiriça de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, com destino ao território egípcio, enquanto cerca de 200 pessoas cruzaram o limite no sentido contrário, segundo estimativas de fontes oficiais palestinas.

A reabertura da passagem foi motivada pela recente reconciliação entre os grupos palestinos e pela chamada Primavera Árabe, que promoveu a revolução política no Egito, após a queda do ex-líder Hosni Mubarak em fevereiro.

A liberação da fronteira representa um alívio ao 1,5 milhão de palestinos empobrecidos pelos últimos quatro anos de bloqueio imposto tanto pelo Egito quanto por Israel, uma retaliação ao grupo Hamas, que assumiu o controle da Faixa de Gaza em junho de 2007.

No entanto, a medida foi recebida com preocupação e ceticismo em Israel, onde as autoridades políticas e militares temem que o terminal fronteiriço Egito-Gaza se transforme no ponto de acesso sem restrições a militantes radicais, além de armas e munição.

A abertura de Rafah, no sul da faixa palestina, ocorreu por volta das 9h locais (4h de Brasília), como tinham programado as autoridades egípcias, que a manterão aberta de forma regular seis dias por semana, até 17h locais (meio-dia de Brasília).

"Tudo está transcorrendo bem e de forma ordenada", assegurou o policial, que se identificou como Abu Osama. "Todos os homens menores de 18 anos e maiores de 40 podem viajar sem nenhum tipo de coordenação com o Egito nem problema", bem como "doentes que tenham recomendação médica".

Em virtude das novas regulações, qualquer palestino poderá atravessar a fronteira livremente, com exceção de homens entre 18 e 40 anos, aos quais se exige um visto especial emitido pelas autoridades egípcias.

As mulheres não precisam de nenhum requerimento prévio. Tudo o que os viajantes em geral têm de fazer é se apresentar ao posto de controle fronteiriço com seus passaportes perante as autoridades do Hamas mobilizadas no local e esperar que um ônibus os leve ao outro lado da divisa.

Centenas de palestinos se concentraram logo cedo na parte palestina da passagem fronteiriça, esperando pela reabertura, ansiosos para atravessar.

Abu Ziad Yassin, de 56 anos, cidadão com dupla nacionalidade palestino-romena, era um dos que aguardavam para cruzar o limite. Ele tinha viajado da Romênia à Faixa de Gaza para visitar seus pais, moradores do território palestino.

"Minha mãe está doente, por isso vim vê-la. Após sua recuperação, decidi retornar à Romênia. Meu voo está previsto para sair amanhã do Cairo, explicou Yassin. "Estou muito contente que essas restrições tenham sido suspensas. Agora posso partir tranquilo, porque sei que poderei retornar a Gaza".

Além dos viajantes, dezenas de simpatizantes do Hamas se reuniram algumas horas depois em frente à fronteira para expressar seu agradecimento às autoridades egípcias pela medida sem precedentes, tomada com o objetivo de aliviar a situação dos moradores da Faixa.

Ghazi Hamad, vice-ministro das Relações Exteriores do Governo de Gaza, já havia confirmado mais cedo a abertura da fronteira "sem observadores europeus do lado palestino". "Preferimos que seja um assunto egípcio-palestino", declarou o vice-chanceler aos vários jornalistas que foram ao local.

Observadores europeus vigiavam as atividades em Rafah entre 2005 e 2007, período em que esteve aberto intermitentemente por acordo entre Estados Unidos, Israel, Egito e União Europeia.

Em 2007, Israel proibiu a passagem dos observadores europeus após os atritos do Hamas com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, o que de fato impediu a abertura do terminal e deu lugar à proliferação de um complexo sistema de túneis clandestinos para o contrabando pela fronteira.

Desde o fechamento permanente de Rafah, o Egito só autorizava a passagem em casos de emergência humanitária. No entanto, no último dia 4, o novo Governo egípcio anunciou sua intenção de abri-la permanentemente por causa do pacto de reconciliação assinado pelo Hamas e pelo grupo moderado Fatah, do presidente Abbas.

(DOL, com informações UOL)

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