A Comissão Europeia aceitou nesta terça-feira revisar para cima de forma "substancial" sua proposta de destinar 150 milhões de euros para indenizar os produtores de verduras europeus cujas vendas caíram devido à epidemia da bactéria E.coli, apontada como a causa de mais duas mortes na Alemanha.
Duas mortes atribuídas à bactéria foram anunciadas nesta terça-feira na Alemanha, elevando para 25 o número de vítimas na Europa, sendo 24 apenas no país. A informação foi confirmada por autoridades de saúde da região da Baixa Saxônia.
As vítimas são mulheres, uma de 74 e outra de 88 anos, que faleceram respectivamente nas últimas terça e quarta-feiras. Ambas apresentaram os sintomas da síndrome urêmica hemolítica, doença marcada por uma grave insuficiência renal.
Além dos 24 óbitos ocorridos na Alemanha, a Suécia registrou a 25ª morte, uma mulher que foi infectada durante uma viagem àquele país.
A epidemia já afetou 13 países europeus, além dos Estados Unidos e Canadá, onde foram registrados casos suspeitos. A origem da contaminação, no entanto, ainda é um mistério.
Após suspeitarem dos pepinos espanhóis, as autoridades sanitárias alemãs pensaram ter encontrado a fonte da contaminação em uma fazenda de brotos vegetais e sementes germinadas no norte do país. Mas os primeiros testes realizados nas amostras apontaram resultado negativo.
Em uma reunião extraordinária dos ministros europeus de Agricultura, o comissário a cargo do expediente, Dacian Ciolos, propôs criar um fundo excepcional de 150 milhões de euros para cobrir as perdas dos agricultores.
A União Europeia propunha indenizar as perdas em 30%. Mas muitos países europeus consideraram que essa cifra não era satisfatória e exerceram "fortes pressões" para revisá-la para cima, segundo uma fonte diplomática.
Depois da reunião, o comissário Dacian Ciolos comprometeu-se a "revisar a cifra" para melhorá-la de forma "substancial". Ele não quis entrar em detalhes, mas a proposta revisada deverá ser apresentada na quarta-feira.
Os inicialmente 150 milhões de euros propostos serão destinados a todos os produtores. Seriam indenizados em até 30% do preço de referência de junho das hortaliças mais afetadas - pepinos, tomates, saladas -, completou Ciolos.
Mas estes fundos são considerados insuficientes pela Espanha, maior exportador de frutas e hortaliças da Europa, e cujas vendas caíram quando as autoridades alemãs suspeitaram, erroneamente, que os pepinos espanhóis teriam originado a crise.
A ministra da Agricultura espanhola, Rosa Aguilar, insistiu que os agricultores sejam indenizados em 100%, assim como seu colega francês Bruno Le Maire, que exigiu uma indenização total pelas perdas dos produtores agrícolas na França.
Madri considera que suas perdas tenham sido de cerca de 225 milhões de euros por semana e quer que a Alemanha assegure em 100% a reparação do prejuízo causado, ameaçando o país com um processo. (eBand)
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