Soldados e atiradores sírios leais ao presidente Bashar al-Assad atacaram a cidade de Bdama, próxima à fronteira turca neste sábado (18), incendiando casas e prendendo dezenas de pessoas, disseram testemunhas, em uma campanha militar persistente para sufocar a revolta popular.
O ataque ocorre após uma sexta-feira de protestos, que têm crescido em tamanho e alcance ao longo dos últimos três meses apesar da repressão violenta de Assad à discórdia pública. Ativistas disseram que as forças de segurança mataram 19 manifestantes a tiros na sexta-feira (17).
“Ele chegaram a Bdama às sete da manhã. Contei nove tanques, dez camburões, 20 jipes e dez ônibus. Vi shabbiha (atiradores pró-Assad) ateando fogo a duas casas”, disse Saria Hammouda, advogado que vive na cidade fronteiriça na região de Jisr al-Shughour, de onde milhares de sírios fugiram para a vizinha Turquia depois que o exército sitiou a área no início do mês.
O diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos, Rami Abdel Rahman, instalado em Londres, disse à AFP que viu ao menos seis tanques e 15 veículos de transporte de tropas entrando em Bdama.
Grupos de direitos humanos sírios afirmam que pelo menos 1.300 civis foram mortos e 10 mil pessoas foram detidas desde março. Segundo ele, o comboio também tinha jipes militares que transportavam oficiais. “Foram ouvidos intensos disparos no povoado” na entrada das tropas, segundo Rahman.
Segundo o correspondente da BBC em Beirute (Líbano) Jim Muir, ativistas e testemunhas afirmam que uma coluna de tanques, veículos blindados e ônibus cheios de soldados invadiram Bdama no início da manhã deste sábado.
Muir diz que, de acordo com um relato, foram registrados muitos disparos de metralhadoras e de artilharia antiaérea no local. Uma milícia favorável ao governo, chamada Shabbiha, ateou fogo em diversas casas, segundo afirmam ativistas.
Acredita-se que a maior parte dos habitantes do vilarejo já havia abandonado o local antes da chegada das tropas, diz Muir. Desde o início da revolta no país, milhares de sírios fogem do noroeste do país em direção à fronteira turca, narrando episódios de terror decorrentes da intervenção do exército em suas aldeias. As informações não podem ser confirmadas de forma independente, já que a mídia estrangeira não pode entrar na Síria.
Bdama é um dos centros nervosos que fornecem alimentos e suprimentos a milhares de outros cidadãos que escaparam da violência nos vilarejos fronteiriços, mas decidiram se abrigar temporariamente nos campos do lado sírio da fronteira.
“Os moradores de Bdama não ousam levar pão aos refugiados, que temem prisões se forem a Bdama em busca de comida”, afirmou Rami Abdulrahman, do Observatório Sírio de Direitos Humanos, à Reuters.
Outra testemunha disse que tropas governamentais também queimaram plantações perto das colinas em uma aparente iniciativa de deixar a terra arrasada.
As potências europeias iniciaram um desanuviamento com Assad antes dos tumultos de rua na tentativa de afastar do Irã o autoritário líder sírio, cuja família domina o país há 41 anos, e estabilizar o Líbano.
Mas agora elas dizem que Damasco deve receber sanções mais severas por conta da violência contra os manifestantes que clamam por maiores liberdades políticas e um fim à corrupção, à impunidade de líderes políticos e seus aliados e à pobreza. As informações são do G1. (DOL)
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